Sócrates, O. Marquês e os Outros Barões
https://www.jn.pt/justica/interior/pgr-desagradada-com-exibicao-de-interrogatorios-a-socrates-9268237.html
Ajudem-me lá a entender esta coisa dos 58 milhões que, pelo menos, seis dos arguidos (R. Salgado, H. Granadeiro, Z. Bava, A. Vara, C. Santos Silva e José Sócrates), consta, vão ter de devolver ao Estado, como resultado das punições pelos seus alegados crimes.
A uma média de 9 milhões e 600 mil euros por cada culpado (tendo em conta, apenas, meia dúzia de figurões...já que, segundo notícias fidedignas, foram mais alguns), esta punição pecuniária servirá, apostaria, para lhes “limpar a face” e o caso vir a ser, definitivamente, encerrado. É o costume. Sócrates ainda passou uns tempos atrás das grades, mas temos sérias dúvidas quanto à aplicação do mesmo tratamento a Ricardo Salgado, bem como a todos os outros arguidos. Como se viu, o tribunal ao enclausurar Sócrates no Estabelecimento Prisional de Évora, fez dele um verdadeiro mártir, com direito a peregrinos e tudo. Ora, depois desta experiência mal sucedida e da saga a que continuamos a assistir, envolvendo Sócrates numa teia de indiciamentos criminais sem solução à vista, duvidamos muito que o poder judicial venha a optar por colocar todo o “panteão” de alegados corruptos na prisão.
Tudo aponta para a solução mais simples: devolvem uns milhões e encerra-se este processo tão desprestigiante para a imagem interna e externa do país. “Pagou, arrumou, arquivou”.
Segundo a comunicação social, mais por dentro do tão badalado “segredo de justiça”, “o tal”´, para que o próprio Ferro Rodrigues, actual PAR, se “estava c….do”, (segundo Escutas Telefónicas reveladas pela SIC, em 21.03.2003, a propósito do Processo Casa Pia), José Sócrates, só ele, terá recebido indevidamente 34 milhões de euros, como “prémio” pelas suas múltiplas acrobacias e tramóias. Contas por baixo, claro. Para um "um pobre provinciano que andou na política durante uns anos", até não foi mau. Depois de uma alegada golpada, caleidoscópica, multifacetada, pelos vistos tão difícil de esclarecer, “preto no branco”, sem factos e provas irrefutáveis, Sócrates, se tiver de pedir ao amigo Santos Silva os cerca de 9 milhões e meio exigidos como indemnização pelo Tribunal, ainda se gozará com uma gorda diferença, aí, entre os 24 e os 25 milhões de euros sobrantes!
Abafam-se uns milhões, devolvem-se uns milhares e "quem perdeu, perdeu, quem achou é seu".
Usando ainda o mesmo raciocínio, imaginem quanto virá a arrecadar cada um dos outros arguidos, alegadamente, com tantas ou mais “culpas no cartório” do que Sócrates, depois de devolverem uns milhões,… para esta gente apenas “trocos”…, por imposição do tribunal! Se tal acontecer, limitam-se também a aferrolhar, intocáveis, uns largos milhões de euros, em contas no estrangeiro, dinheiro grande parte dele sem rasto, desviado na data e na hora certas, que nunca mais entrará nos cofres do Estado. Mas, ainda que estes milhões “voltem à base”, aos cofres públicos, não nos parece que venham a minimizar, grandemente, o prejuízo brutal que a sua fuga (ou roubo) representou e continua a representar para os magros bolsos de todos os portugueses, obrigados a suportar, por largos anos, o esforço de uma governação cheia vícios, assegurada por indivíduos desonestos, ineptos e sem sentido de Estado, muitos deles, sem a adequada preparação académica e profissional exigida para o exercício dos cargos que ocupam, gozando apenas da “certificação” do partido político onde se filiam.
Portugal tem sido varrido, desde há décadas, por ondas sucessivas de corrupção e de negociatas fraudulentas altamente lesivas dos nossos recursos económicos, envolvendo, como se tem visto, altas figuras da política, da banca e da administração pública, gente sem escrúpulos que, até agora, de uma forma geral, escudada no poder do dinheiro e na brandura e permeabilidade da lei, tem escapado incólume, apesar dos seus asnáticos desmandos, trapaças, tropelias e tramóias.
E, pelos vistos, o roubo, quando se trata de milhões, parece compensar. Ou não?!
João Frada
Calendas Semânticas 2000
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quarta-feira, 18 de abril de 2018
sábado, 14 de abril de 2018
Montenegro facturou 400 mil euros em ajustes directos de autarquias
https://www.tsf.pt/portugal/politica/interior/ninguem-sabe-quantos-deputados-estao-em-exclusividade-na-ar-3817442.html
Há promiscuidade entre o público
e o privado, em Portugal, como afirmam tantas vozes, entre elas, Paulo de
Morais, mas, como diz o povo, “vozes de burro não chegam ao céu”, neste caso,
ao Parlamento. É ver todos os partidos a protegerem, ou a não quererem pôr em
causa a excelente prerrogativa dos nossos deputados, em particular, dos que
exercem advocacia, actividade que, de acordo, com o Estatuto dos Deputados, não
deve ser sujeita a qualquer impedimento legal, por ser considerada pela
inteligente “Subcomissão de Ética” uma profissão liberal sem qualquer conotação
com prática comercial ou industrial. E, curiosamente, os mesmos partidos que em
2014 votaram a favor da moralização do exercício do poder, nesta altura,
parecem agora anestesiados e amnésicos em relação a estas questões: A exclusividade dos deputados “para requalificar
a democracia” (BE, pela voz de Pedro Filipe Soares, em 17.abril.2014) e o
alargamento do período de nojo, de
três para cinco anos, prazo durante o qual nenhum antigo governante deveria
poder exercer actividade numa empresa privada (PCP, pela voz de João Oliveira,
na mesma data supracitada).
Embora uma grande maioria dos deputados
trabalhe em regime de exclusividade total, contam-se ainda em várias dezenas
aqueles que, na sua condição de advogados-deputados (e quase sempre figuras
mais destacadas dos demais partidos políticos), assumem actividades públicas e
privadas, sem qualquer impedimento legal que os condicione: durante 50 por
cento do seu tempo fazem leis no Parlamento, muitas delas “verdadeiras camisas
à medida” dos seus objectivos; nos outros 50 por cento do dia de trabalho ocupam-se,
naturalmente, dos interesses privados de instituições, empresas e sociedades
onde exercem ou esperam vir a exercer a sua actividade profissional. Mas,
evidentemente, tal exercício, “dando uma no cravo e outra na ferradura”, jamais
se reveste, revestiu ou revestirá de qualquer traço de promiscuidade lesiva dos
superiores interesses do povo, que representam enquanto agentes do supremo
órgão de governação, o Parlamento. Deus os livre, longe disso! E, se acaso
alguma vez vier a transparecer essa azarada evidência, tal situação não passa(rá),
acreditem, de uma imprevisível e simples coincidência.
Tráfico de influências,
favorecimento e informação privilegiada ilícitos, actos de corrupção na forma
de “abuso de poder político para fins privados”?! Nem pensar! Daí, que não se
justificará, de todo, mexer no assunto da exclusividade e dos impedimentos do
exercício parlamentar dos nossos deputados…façam eles os contratos ou “os
ajustes diretos” que fizerem.
Honestidade e transparência,
acima de tudo! Lema incontornável da nossa classe política.
Porém, verdades absolutas podem
conter algumas reticências. Em tempos, Cândida Almeida, ela própria, também não
conseguiu esconder as suas dúvidas: “Onde há poder, há corrupção, mas, em
Portugal, a haver, é residual”! É tão reconfortante esta certeza!
João Frada
Calendas Semânticas 2000
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quinta-feira, 22 de março de 2018
MARCELO REBELO DE SOUSA E O HUMOR NEGRO DA "BOMBA"
"Já pensaram? Uma bomba aqui era uma crise". O humor negro
https://www.noticiasaominuto.com/.../ja-pensaram-uma-bomba-aqui-era-uma-crise-o-.
Humor Negro?! Uma bomba no meio deles todos, incluindo-o a
ele, claro!…
Marcelo, ou fez humor, ou deixa transparecer algum remoto
receio do imprevisível, comum nos tempos que vão correndo, ou, então, ironizando
ainda com maior acuidade cáustica, sabe-se lá se, bem no fundo da sua
consciência, não acharia ele que alguns dos presentes não mereceriam, mesmo, um
castigo desta natureza. Seria crueldade demais. Acreditamos que tenha sido
apenas humor negro aligeirado!
Mas, que o diabo as tece, tece.
Devemos pensar nisso.
De igual modo, se o nosso humor, na oralidade ou na escrita, alguma
vez vier a assumir a mesma cor, creiam que não está ou esteve, minimamente,
imbuído nem de radicalismo dissimulado, nem de qualquer forma de
fundamentalismo extremista ou terrorista. Não. Trata(r))-se-(á), apenas e tão somente,
de uma manifestação ou excerto ficcionista, que, simultaneamente, pretende
glorificar a literatura libertária e, porventura, servir de alerta para quem por
aí anda susceptível aos desmandos de tanto psicopata ou radical mais revoltado
e criminoso. Porque, não se iludam, o pacífico silêncio e a paz que reinam à
nossa volta, neste jardim florido plantado à beira mar, podem não durar sempre.
Talvez, por isso mesmo, recorrendo a humor negro, Marcelo tenha expressado o
seu temor.
Tal como o humor presidencial, também a ficção também pode
ser premonitória.
“ Morreram vinte e duas pessoas electrocutadas na piscina [da
unidade Termal de Aurora]. (…) Horas depois, conheciam-se as identidades de
todos os falecidos: Um ex-chefe de Estado, três ministros, dois ex-primeiros
ministros, cinco deputados, um ex-deputado, dois banqueiros, dois empresários,
quatro ex-secretários de Estado e dois velhos dinossauros da vida política do
país. (…) Soube-se, mais tarde que a piscina tinha sido reservada para aquele
grupo especial de congressistas, barões mais notáveis da Banca, da Economia e
da Política (…), ali reunidos no 1º Congresso Nacional de Reconciliação
Política. (…)” [Frada, João, Livres e Intocáveis. 1ª edição, Lisboa:
Clinfontur; 2015, pp. 217; 231.]
Devemos pensar nisso.
João Frada
Calendas Semânticas
2000
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quarta-feira, 21 de março de 2018
LUZ DIVINA
Posso cruzar mil portais, tempos perdidos,
voar sem asas, saltar de uma cascata,
sulcar o cosmos em busca de outros sóis,
de arcos-íris jorrando rios de prata,
finos rubis, tesouros e esmeraldas,
de mágicos faróis, jardins suspensos
de amores perfeitos, rosas e grinaldas…
Sonhando o impossível, sem temor,
posso alhear-me nas raias da loucura,
porque sei que a tua alma, meu amor,
olha por mim, zelosa, com ternura.
Meu anjo branco, sempre vigilante
nas minhas perdas de rumo e de razão,
luz divina que vejo a cada instante
e traz o meu destino pela mão.
João Frada
Calendas Poéticas 2000
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quarta-feira, 14 de março de 2018
METEOROLOGIA POÉTICA
A chuva, fria,
madrasta deste inverno,
tão triste e estranho,
continua a cair, teimosamente,
em grossa gota, ora fustigante,
ora em mortalha fina, saturante,
como se um céu de nuvens,
grávido e negro,
nos julgue seus reféns,
e, numa maré louca de agonia
e de raiva, sem quartel e sem
alívio,
apostado num martírio, noite e dia,
queira afogar-nos, de vez, neste
dilúvio.
João Frada
Calendas Poéticas 2000
segunda-feira, 12 de março de 2018
DESILUSÃO
Bem, já cheguei,
já partiste,
de nada me serve protestar
ou ficar triste,
esperar que as estrelas brilhem
e os grilos cantem…
A noite de hoje, igual à de
ontem,
mais uma, cheia de insónias,
sombras, nuvens,
um autêntico cortejo de “carneiros”,
percorrendo céus de breu,
feros, tamanhos,
tantos que contei,
todos eles iguais,
feios rebanhos.
João Frada
Calendas Poéticas 2000
quinta-feira, 1 de março de 2018
POETISA
Poetisa
Poetisa, poetisa,
Sabe-se lá vinda de onde,
Cantando odes à vida
Ao toque de um realejo.
Feiticeira de olhos verdes
Que cruzaste o meu caminho
E me soubeste encantar
Com rimas doces, falantes,
Ditas em verso, poema
Feito de cor e perfume.
Poetisa, poetisa,
Que nos teus versos me prendes
E em cada palavra solta
E em cada rima sentida
Sinto ser o meu ensejo
De colher céus, horizontes,
Raios de sol e luar,
Brisas repletas de aromas
De hortelã e alfazema,
De rosmaninho e poejo.
Poetisa, poetisa,
Enquanto o vento lançar
Odores, assim, de arrastão,
Meu amor, a minha vida,
Presa a ti por tantos laços
É como o trigo e a fonte,
Nascidos do mesmo chão,
Saídos da mesma fenda.
Quando me estreitas nos braços
Ceifando a fome, o desejo,
És a ceifeira mais linda
Das terras do Alentejo.
Calendas Poéticas 2000
J.F.
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