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segunda-feira, 12 de março de 2018

DESILUSÃO


Bem, já cheguei,
já partiste,
de nada me serve protestar
ou ficar triste,
esperar que as estrelas brilhem
e os grilos cantem…
A noite de hoje, igual à de ontem,
mais uma, cheia de insónias,
sombras, nuvens,
um autêntico cortejo de “carneiros”,
percorrendo céus de breu,
feros, tamanhos,
tantos que contei,
todos eles  iguais,
feios rebanhos.

João Frada
Calendas Poéticas 2000    

domingo, 29 de março de 2015

SEXTO SENTIDO



Sexto sentido

Os meus versos metafóricos,

Herméticos quando se leem,

São como vales profundos

Onde os símbolos alegóricos

Estão ali e não se veem…     

Ou talvez ninguém pressinta

O que escondo nas palavras,

Mas tu, olheira distinta,

Tão atenta ao que eu respigo

Entre clarezas e sombras,

E pretensões literárias, 

Tão solidária comigo,

Aposto que até vislumbras

O que eu penso, mas não digo.

Calendas Poéticas 2000

sábado, 14 de março de 2015

LEITURA BREVE


Leitura Breve

 
Fomos leitores em silêncio

Contemplando-se entre si

Não passámos do prefácio

Mal me leste, mal te li.

 
Soletrámos dois parágrafos

Não houve margem pra mais

E trocámos dois autógrafos

Sem excessos passionais

 
Duas linhas, esta história,

Escritas em estilo inseguro

Um encontro sem memória,

Sem presente nem futuro   

 
Foi tão breve esse momento

Que só nos restam penumbras

E frases sem argumento

A ligar as nossas sombras.

 
Calendas Poéticas 2000

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

INTROSPEÇÃO


Introspeção

 

Não sei se chore, se ria,

Sabendo que me queres bem

A paixão, em demasia,

Não dá descanso a ninguém.

Tantas marés de emoções

Guardo dentro do meu peito

São sementes de ilusões

De um amor quase perfeito.

 

Mas se ele não incendeia

E  nada em nós fica ardendo

Não passa de uma candeia

Que dá luz e vai morrendo.

Quem nos ama de verdade

Perdoa quaisquer ofensas

E sacia na saudade

A sede das suas crenças.

 

A tristeza e a alegria

São pedras do meu caminho

Que eu calco no dia a dia

Por te ter tanto carinho.

Há quem sonhe que o amor

Não passa de um mar de rosas

Mas até uma simples flor

Tem virtudes perigosas.  

 

Carrego mágoas sem fim

Vão soçobrando os meus ombros

Já pouco resta de mim

Apenas sombras e escombros.

Das paixões ficam feridas

Que nunca saram de vez

E deixam nas nossas vidas

Sofrimento e languidez.

 

Se a morte me procurar

Em busca de companhia

Apenas há de levar

Uma vida bem vazia.

Mas se ela me atormentar

Vou dizer-lhe sem receio

Nada tenho pra te dar 

A não ser tudo o que odeio.

 

Calendas 2000