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segunda-feira, 12 de março de 2018

DESILUSÃO


Bem, já cheguei,
já partiste,
de nada me serve protestar
ou ficar triste,
esperar que as estrelas brilhem
e os grilos cantem…
A noite de hoje, igual à de ontem,
mais uma, cheia de insónias,
sombras, nuvens,
um autêntico cortejo de “carneiros”,
percorrendo céus de breu,
feros, tamanhos,
tantos que contei,
todos eles  iguais,
feios rebanhos.

João Frada
Calendas Poéticas 2000    

quarta-feira, 15 de julho de 2015

O EUROGRUPO E OS EUROESCRÚPULOS

O Eurogrupo e os Euroescrúpulos


“O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, acaba de retira do currículo um mestrado em Economia Empresarial, pela University College Cork (UCC), que nunca existiu naquela instituição.”
(http: // www.publico.pt/economia/noticia/presidente-do-eurogrupo-corrige-curriculo-retirando-mestrado-que-nao-tinha-feito-1591368)

Curioso o perfil deste ilustre “intocável”, que preside ao Eurogrupo, não acham?! Pretendendo engrossar o currículo, abrilhantando o seu perfil académico e científico, na área da economia,  selecionou um Mestrado que nunca existiu na University College Cork (Irlanda) e acrescentou-o à sua informação biográfico-curricular. Obviamente, o status científico e pessoal que este grau lhe poderia conferir, pensava ele, garantir-lhe-ia, junto da maior parte dos seus bacocos colegas do Eurogrupo, um maior grau de supremacia, respeito e admiração. Tinha razão. Na verdade, só viria, mesmo, reforçar um pouco mais a solidez da sua ação político-presidencial, enquanto alto dirigente do Eurogrupo, como se viu.
Descoberta a fraude, enquanto o Miguel Relvas sentiu na pele a fogueira política (pelo menos, durante uns tempos, já que a memória do povo é curta) e se obrigou a sair da vida pública, apenas não retirando do currículo o título de “Dr.” que a sua esforçada licenciatura lhe outorgou, Jeroen Dijsselbloem apressou-se a corrigir o “scripto lapse” (lapso de escrita) na sua informação curricular, a qual, pelos vistos, entre os seus pares, poucos lêem ou valorizam. Como vimos, esta faceta do ilustre presidente do Eurogrupo, não obstante traduzir, claramente, um perfil pessoal e político revelador de desonestidade e de falta de escrúpulos, não poria em causa a sua continuidade de funções no alto cargo europeu que desempenha.
Impávido e sereno, continua a sua missão, ali alicerçado de “pedra e cal”.
Os seus colegas do Eurogrupo, porventura, familiarizados com estas e outras manhas que constituem a “praxis” diária da sua actividade, enquanto “pastores” de todo o “rebanho” europeu,… com alguns carneiros mais rebeldes do que outros…, terão feito letra morta, ou vista grossa, sobre este insignificante incidente. O que pensaram, comentaram ou criticaram nos bastidores sobre o comportamento do seu “presidente” com aspiração a Mestre, não sabemos. Mas que decidiram mantê-lo, manifestando-lhe deste modo a sua confiança, pelo seu exercício, pessoal e profissional, isento, escorreito e criativo, isso, não há dúvida.
Resta-nos, no entanto, uma última reflexão, perante a qual atrevemos-nos a afirmar que, independentemente do currículo que Jeroen tem ou venha a ter, nós, europeus, temos um presidente à frente do Eurogrupo que, se não é burro, disfarça muito mal. Num rasgo genial de inteligência saloia, resolveu auto distender as suas competências curriculares, acrescentando-lhe um pomposo Mestrado em Economia Empresarial que não existia na referida Universidade, e, para que tal grau viesse a ser considerado fraudulento, nem precisou de datar a sua conclusão a um domingo. Pura e simplesmente, tal área académica e científica não se processa(va) nesta instituição universitária irlandesa. Não pôde comprovar tamanho dislate, e, encolhendo o status, retirou-o do currículo. Mas, apesar desta atitude bem demonstrativa do seu carácter pretensioso, insensato e descuidado, continua a passear-se no seio do Eurogrupo, como um bom “menino de coro”. E todos o ouvem. E o eco da sua voz, nas decisões que a todos nos tocam, continua a fazer-se ouvir, apesar de tanta distorção.
É esta a sorte que, certamente, merecemos.

João Frada
Professor Universitário (Ph.D.)
Calendas Semânticas, 2000