QUERO DIZER-TE:
Uma frase simples,
que faz parte dos nossos rituais
dos ditos repetidos e diários,
que já sabes de cor, que digo acordado e a sonhar,
que tantas vezes me sufoca, presa na garganta,
quando a saudade em meu peito se agiganta
e em sonhos cruzo o tempo, o céu e o mar,
na esperança de te ver e de abraçar,
um som que marca o ritmo dos teus dias,
que te alegra incertezas e ilusões,
que festeja aniversários,
que balsamiza tristezas e agonias,
que faz pulsar e sorrir os nossos corações,
AMO-TE.
João Frada
Lisboa 11.5.2014
Páginas
segunda-feira, 12 de maio de 2014
sexta-feira, 9 de maio de 2014
“PASSOS AVISA: impostos podem continuar a subir”
Finalmente, Passos Coelho, mais realista, consegue perspetivar com antecipação o que até agora tem negado o tempo todo e até escamoteado, provavelmente eufórico pela Saída Limpa da Troika e, porventura, sob efeito da obnubilação causada pelas estratégias de limpeza utilizadas pela mesma, senão mesmo também alucinado pelo carnaval pré-eleitoral que o seu Partido vai preparando com tanta convicção. Dizia ele: baixa-se hoje a carga fiscal, não se aumentam impostos, o país está numa retoma formidável. No dia seguinte, caído na real, dando o dito pelo não dito, afirma com a convicção que lhe é peculiar: sobem-se a TSU e o IVA, é claro, coisa pouca,… afinal, trata-se apenas de uma pequena calibração, um ligeiro ajustamento, uma insignificante doação sanguíneo-tributária…, mas, se o Tribunal Constitucional se continuar a intrometer na trajetória das suas decisões de política fiscal, como vai sendo habitual, porque há que reduzir o défice e a dívida pública e equilibrar, rapidamente, a balança económico-financeira do país, Passos Coelho, não de orelhas caídas, mas de paciência esgotada, não vê, como não tem visto agora, outros cofres disponíveis para atingir os seus supremos objetivos de Governação. A sangria terá de continuar e, obviamente, não poupará os causadores da crise: o povo, o eterno gastador e perdulário.
Rever subvenções e privilégios fiscais de observatórios, fundações, institutos e quejandos, corrigir e controlar contratos com empresas, gabinetes e grandes escritórios de advogados, que sugam anualmente o erário público, cobrando milhões de euros, por um interminável trabalho de aconselhamento, de feitura de leis e pareceres jurídicos, rever condições de recapitalização da Banca, reanalisar contratos SWAP e PPP, mergulhar até ao fundo da cratera do BPN, apurando factos e responsabilidades e encontrar as pegadas dos milhares de milhões que se volatilizaram e repousam, algures, em contas de offshores de uma data de figurões que por aí se passeiam impávidos, incólumes e serenos, ah, isso não, não é ideia que lhe passe pela sua distinta cabeça pensante.
O Tribunal Constitucional ou funciona segundo as suas regras, ou não. Como, lamentavelmente, este órgão não lhe favorece as intenções e decisões governativas, só lhe resta uma hipótese: meter a unha na mesma gaveta de sempre, a do povo trabalhador. Porque as outras, aquelas que se alimentam e, continuamente, são recheadas a coberto da Governação e dos grandes interesses da Política e da Finança, essas, são intocáveis. Há que as manter, hoje e sempre, gordas e opadas, porque elas são os cofres de muita gente no futuro.
João Frada
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quarta-feira, 7 de maio de 2014
PORTUGAL,TROIKA E SAÍDA LIMPA
Saída Limpa, para quem?
Para a Troika, que “limpou”, pelo seu “magnífico” trabalho de reorganização dos nossos recursos humanos e económico-financeiros e pelas sábias lições também concedidas aos nossos políticos e, em especial, aos governantes, cerca de metade dos milhares de milhões que nos emprestou, em juros e comissões, com vista a salvar-nos da bancarrota e a reabilitar Portugal aos olhos dos credores internacionais e das agências de rating, autênticas máquinas mafiosas seguramente ao serviço do grande capital, deixando-nos, depois de toda a austeridade que nos foi e continua a ser imposta, no limiar do descrédito, praticamente no “lixo”, porque é este o nosso estatuto, enquanto país devedor, ou para os parasitas sarnentos que, gerindo-nos os desígnios, depois de tanta limpeza aplicada sobre os bolsos e a pele de milhões de portugueses nunca largaram, nem largarão tão depressa os seus hospedeiros, milhões de portugueses que continuam a servir-lhes de repasto?
A cantilena tocada a toda a hora, nestes últimos dias, de uma Saída Limpa, “porque não precisamos mais de ajuda externa”, tendo em conta uma austeridade que não vê melhoras, não deixa de ser uma manobra de demagogia barata e, seguramente, pré-eleitoral. A imagem externa pode beneficiar, mas o dia-a-dia dos portugueses não verá grandes alegrias. A carga fiscal, agora mais pesada face às últimas medidas impostas: aumento da TSU, claro está, aplicada apenas sobre trabalhadores, e pelo IVA, o tal imposto que constituía a suprema bandeira do lírico Ministro Pires de Lima… ia baixá-lo, só ainda não sabe quando…, é a prova disso. Porém, para o senhor Primeiro Ministro e todo o seu séquito governativo, a Saída Limpa constitui, podemos dizê-lo, o slogan governamental mais ouvido e aplaudido, porventura também o hino mais convincentemente utilizado em termos de mentalização política. Mas, a Saída aparente da Troika, o fim da dita ajuda externa, com visitas periódicas, supomos, não tão principescamente pagas como as que se verificaram durante este últimos três anos, apenas não passa de uma Saída para uma outra Entrada: uma continuada ação de “Limpeza” monetária à população que, qual procissão flagelatória, ainda só agora vai no adro.
As elevadas taxas de desemprego teimam em persistir; a austeridade está para durar; o poder de compra não aumentou para a grande maioria do povo, porque os seus salários, mesmo com aumentos, continuam de miséria; as falências entre 2011 e 2014 multiplicaram-se, engolindo múltiplas empresas que sobreviviam do mercado interno e não suportaram a retração do consumo e a carga fiscal, etiquetada como calibração necessária, acabou de subir através da TSU e do IVA.
Percebemos perfeitamente o que o Governo entende por Saída Limpa, tendo em conta a situação em que nos encontrávamos junto dos mercados e dos credores internacionais, mas, apesar desta saída do programa de ajuda externa, prevista para 17 de maio próximo, determinada pela favorável trajetória de redução do défice orçamental e da dívida pública, o Estado, ao contrário do que afirmou o senhor Primeiro Ministro, durante as comemorações dos 40 anos do seu Partido, não vai tão depressa deixar de complicar a vida às pessoas.
Apesar de tanta limpeza e saneamento, não se fez ainda, nem sabemos se o Governo terá algum dia coragem para a fazer, a tão esperada reforma estrutural do Estado, esta sim, que poderia cortar milhares de milhões na despesa pública, através da revisão de contratos SWAP e PPP, reduzindo ou cerceando fundos de capitalização à Banca, atribuindo com o maior rigor e transparência, ou abolindo mesmo, subvenções a tudo quanto é fundação, observatório, repartição, instituto, comissão, gabinete que pouco ou nada produzem em prol da sociedade e do país. E que fez a Troika nestes domínios? Nada ou quase nada. Supostamente, não lhe interessou tocar nos grandes poderes e negócios instalados. Pura e simplesmente, a Troika pode vangloriar-se de ter feito uma Saída Limpa, ou seja, não esteve para se sujar, mexendo nesta fossa.
Pois foi, não quis arriscar-se a mexer nos setores mais sujos, autênticos canos de esgoto por onde se têm escoado e continuam a escoar os dinheiros públicos, arriscando-se a fazer uma Saída incómoda e mal cheirosa.
Se para a Troika e para todos os grandes comedores da riqueza nacional e do erário público, gente que vive e sempre viveu, direta ou indiretamente, à conta do Estado,… e tem sido tanta…, a Saída foi e é Limpa, porque neste arrastão se limpou muito mais do que se devia dos bolsos da grande maioria dos portugueses, os mais pobres e mais vulneráveis, para estes, que trabalham e se esfolam vivos para sobreviverem, a Saída não foi nem é Limpa, mas Porca, tremendamente Porca.
João Frada
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quinta-feira, 1 de maio de 2014
NO RESCALDO DAS COMEMORAÇÕES DO 25 DE ABRIL
“O PROBLEMA É DELES”…e foi e será sempre deles.
Mas, se o problema não fosse DELES, Ela e Eles e todos os outros que, à pala DELES, se instalaram no poder e, desde há quarenta anos, têm vindo sucessivamente a viver à conta disso, mamando nas tetas do Estado…que já foram úberes mais fartos e sem qualquer restrição de acesso…, não seriam quem são, não fariam o que fazem, não estariam onde estão, não gozariam o que gozam, não opinariam o que opinam, não teriam acesso a empregos em part time tão bem pagos, não teriam oportunidade de dar azo a tanta arrogância e sobranceria, não mal governariam como governam, não diriam as asneiras que dizem nem emitiriam considerações toscas e broncas como aquela de “O PROBLEMA É DELES”. Mas, vindo de quem veio, esta última boca foleira, não passou de mais um reflexo do “inconseguimento (…) [sentido por esta eminente figura, desajustada do] centro de decisão fundamental (…) [eventualmente correspondente] a uma espécie de nível social frustracional derivado da crise”.
Se não fosse a intervenção dos Capitães, o derrube do regime, em 1974, ainda que inicialmente não tivesse sido concebida senão para lhes garantir privilégios e melhores condições de vida, aos ditos “Capitães”, bem como para os libertar da tão cansativa e desgastante “guerra do Ultramar”, nem ELES nem ELAS, sobretudo os pertencentes a castas especiais, teriam direito a reformas após 16, 12 e mesmo 10 anos de Função Pública, como é e tem sido o caso dos imprescindíveis e insubstituíveis magistrados do Tribunal Constitucional. Curiosamente, foi exatamente desta instituição, que se acabou de aposentar uma jovem figura, chorudamente prendada com uma reforma que, a maioria dos portugueses, incluindo os “Capitães de Abril”, jamais poderão sonhar. E ainda ousa dizer que “O PROBLEMA É DELES!”
A extinção da ditadura que caracterizou o Estado Novo, durante quatro décadas, não passou, para muitos socio-politólogos, de um feliz acidente de percurso. Apesar da considerável imaturidade política dos responsáveis pelo golpe militar, as Forças Armadas envolvidas nesta ação agiram adequadamente e puderam depor, praticamente, sem derramamento de sangue, o Governo Marcelista. O regime caiu, e tudo o que lhe estava ligado, como um baralho de cartas.
O regime deposto, para além de estar assente em “pés de barro”, fora apanhado desprevenido.
ELES, os “Capitães de Abril”, pretenderam resolver os seus problemas mais imediatos, em particular, os relacionados com a guerra colonial e com a continuidade da presença portuguesa em terras de África. Na pressa e no desprendimento, os capitães revoltosos não só fizeram aflorar das suas armas cravos em vez de balas, num gesto magnânimo de pacificação da sociedade portuguesa, como não cobiçaram o poder político, como tantas vezes tem acontecido noutras partes do Mundo, em especial, em África e na América Latina. Os civis tomaram conta do poder e, ao longo de décadas, ardilosa e inteligentemente, foram criando leis, privilégios e mordomias constitucionalmente alicerçados, como convém em Democracia, à medida dos seus supremos interesses e objetivos pessoais e profissionais. Se não tivesse sido essa a decisão dos “Capitães de Abril”, que lhes pareceu na altura a mais sensata e cívica, de colocar nos ombros dos civis, homens da política, a governação do país, muitos dos “vampiros” contemporâneos ao 25 de Abril de 74, convictos “Salazaristo-Marcelistas”, alguns, pidescos e olheiros do regime, que por aí ainda circulam e continuam à sombra do poder, engordando à conta do Regime, agora democrático, não teriam tido tanta sorte. E “o problema deles e delas” poderia ter sido bem mais complicado ou nem sequer existir…dependendo da solução radical e definitiva assumida nessa época.
Os problemas e interrogações do país, decorrentes do reconhecido “nível social frustracional derivado da crise”, têm-se avolumado e, tal como referia, recentemente, um velho dinossauro da política, os protestos agora foram assim, mas na próxima poderão ser piores… e oxalá que sejam, rematou o mesmo.
Por isso, ainda há alguém que pense que “O Problema é[ apenas] DELES?!
João Frada
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sexta-feira, 25 de abril de 2014
UM ADEUS E UMA ESPERANÇA
Dizer em poesia um século inteiro,
é arte de difícil desempenho,
é obra de arquitecto que não sou
é caminho espinhoso sem roteiro
é fôlego de esteta que não tenho.
Que os deuses me iluminem
e a minha voz se erga, sibilina,
cantando nos meus versos a mensagem
de um adeus, um hino de homenagem
à paz entre os homens,
à esperança nascida num sorriso,
ao mar revolto, poluído e manso,
às cinzas de quem jaz no meio da guerra,
a quem combate a tirania sem descanso,
aos ideais que p'ra sempre desvendaram
a mística, a ciência e a magia,
aos homens que rasgaram no seu tempo
com as mãos horizontes de ousadia,
às raças que se enleiam sem reservas
e, em corpo e espírito, abraçam toda a Terra.
Que as minhas forças se juntem, assestadas,
contra o infortúnio que assola os deserdados
e os mártires da guerra, soterrados,
contra os esquálidos corpos, esfomeados,
máscaras tristes sem rosto, gaseadas,
contra as subtis razões da eutanásia
e os mostrengos clonados p'la genética.
Neste Pináculo do Tempo, digo adeus,
mas os versos são difíceis de rimar,
opulência e miséria, guerra e paz,
progresso, fome e abastança,
retrocesso, cibernética e robótica.
Quando no céu se estampar a cor da esperança
e um rio de amor transbordar fraternidade,
o Mundo há-de rodar e, na mudança,
num Império de justiça e temperança,
a paz há-de rimar com liberdade.
João Frada, Olhos nos Olhos da Alma, Edições CLINFONTUR
é arte de difícil desempenho,
é obra de arquitecto que não sou
é caminho espinhoso sem roteiro
é fôlego de esteta que não tenho.
Que os deuses me iluminem
e a minha voz se erga, sibilina,
cantando nos meus versos a mensagem
de um adeus, um hino de homenagem
à paz entre os homens,
à esperança nascida num sorriso,
ao mar revolto, poluído e manso,
às cinzas de quem jaz no meio da guerra,
a quem combate a tirania sem descanso,
aos ideais que p'ra sempre desvendaram
a mística, a ciência e a magia,
aos homens que rasgaram no seu tempo
com as mãos horizontes de ousadia,
às raças que se enleiam sem reservas
e, em corpo e espírito, abraçam toda a Terra.
Que as minhas forças se juntem, assestadas,
contra o infortúnio que assola os deserdados
e os mártires da guerra, soterrados,
contra os esquálidos corpos, esfomeados,
máscaras tristes sem rosto, gaseadas,
contra as subtis razões da eutanásia
e os mostrengos clonados p'la genética.
Neste Pináculo do Tempo, digo adeus,
mas os versos são difíceis de rimar,
opulência e miséria, guerra e paz,
progresso, fome e abastança,
retrocesso, cibernética e robótica.
Quando no céu se estampar a cor da esperança
e um rio de amor transbordar fraternidade,
o Mundo há-de rodar e, na mudança,
num Império de justiça e temperança,
a paz há-de rimar com liberdade.
João Frada, Olhos nos Olhos da Alma, Edições CLINFONTUR
quarta-feira, 23 de abril de 2014
FMI e Governo: Economia, Emprego, Reformas e Pensões
A Troika sai, mas não vai haver razões para comemorações com champanhe. Deixa-nos, a quase todos, a pão e água, e esta “dieta” rigorosa é para durar. A austeridade que afeta a grande maioria da sociedade portuguesa veio para ficar, muito, muito, muito para além da saída destes vampiros que, em troca de lições de gestão orçamental e de empréstimos a juros elevados, arrecadaram muitos milhões. É caso para dizer que nos levaram e irão continuar a levar coiro e cabelo.
“Cerca de metade do empréstimo da Troika é para juros e comissões”.
E pasme-se! Os governantes portugueses pagaram para serem ensinados a gerir os nossos recursos… como se não o soubessem fazer na perfeição!
Mas alguém acredita que muitos daqueles que se abotoaram com milhares de milhões do erário público, através de negociatas, favores, comissões e subvenções de toda a espécie, porque movimentaram nas suas contas pessoais muito mais do que declararam ao fisco, ou seja, porque apresenta(ra)m receitas bem maiores do que as auferidas pelo exercício das suas profissões, esbanjando e gastando à tripa forra, sem possibilidade nenhuma de justificar o enorme e rápido enriquecimento, a não ser através da corrupção de meios ilícitos, não saibam como articular receitas e despesas?! Sabem-no e bem. Mas quanto a estes, a Troika não vê necessidade de estabelecer regras de contenção sérias e rigorosas, nem de explicar como se gerem orçamentos. O BPN e os enriquecidos à conta dele, ou seja, à custa de todos nós, que ficámos a pagar os milhares de milhões que voaram através de manobras fraudulentas desta instituição, almofadada na hora certa pelo risco sistémico, não constituem quaisquer preocupações para ninguém, nem para a Troika nem para os seu pupilos cumpridores, os nossos inteligentes governantes.
Os únicos com dificuldade nesta matéria, de gerir recursos e orçamentos, são os portugueses que pouco ganham pelo seu trabalho, quando ganham e quando têm emprego. A receita é curta, porque o salário é baixo e os impostos arrasam-na um pouco mais, e, por isso, gerir receita e despesa é exercício que requer alguma concentração e dificuldade. E sobretudo aqueles cerca de 600 000 que sobrevivem com o salário mínimo, estes, sim, precisariam que a Troika lhes ensinasse como é que se pode viver com esta receita miserável.
Era um exercício curioso, podermos observar um desses seguidistas troikianos a viver durante um mês com tal salário! Já o senhor António Borges, que Deus o tenha em bom lugar, entendia que não se deveria aumentar o salário dos trabalhadores, pois isso poderia conduzir a excessos de perdularismo, de gastos desenfreados e de quebra de poupança. Ganhando pouco, não descobrem vícios, gastam menos e poupam mais.
Para o FMI e, bem entendido, para os outros dignos representantes da Troika e, por tabela, para os nossos governantes, a culpa da crise é ou foi de alguém e esse alguém tem nome: não os bancos, não os responsáveis pela vigilância e pelos pagamentos de obras com derrapagens orçamentais brutais, sem que os faltosos sejam punidos ou venham a ser confrontados com os seus incumprimentos, não os responsáveis pelos contratos altamente lesivos dos interesses públicos, como os SWAP e PPP. Os funcionários públicos, em geral, e, em especial, os reformados e pensionistas e esses sim, é que são e foram os verdadeiros responsáveis pela CRISE, pelo DESCALABRO das contas pública, pela DÍVIDA tremenda, pelo CAOS em que o país se afundou, e, como tal, terão de ser eles a suportar o rigor da austeridade e o peso dos impostos e das taxas e “do diabo que carregue” em cima do lombo. Viveram até agora à grande e à francesa, pois terão agora de voltar aos tempos do antigamente: ganhar menos, comer pouco, gastar pouco, rezar muito. Desta maneira, e com a ajuda de Deus, não alimentarão vícios.
Como dizia um opinante do FMI há pouco dias: os vencimentos atribuídos a este exército de gente, pendurado na Segurança Social, não podem jamais ter tetos fixos. Nem pensar! Hoje recebem X-Y, já que desde há três anos se viram, e muito bem, a bem da nação, reduzidos das suas principescas reformas e pensões recebidas, e amanhã receberão X-Y-Z. Seguramente. A ter em conta a brilhante e salvadora decisão que os nossos governantes e os seus inteligentes conselheiros da Troika, incluindo este último opinante do FMI, traçaram como forma de equilíbrio das contas do país, fazendo depender as reformas e pensões dos afortunados portugueses, entre outras coisas, dos rumos da economia e da demografia do país, estamos todos de parabéns: descobriu-se, finalmente, a receita mágica para a reabilitação do orçamento geral do Estado e da Segurança Social.
Pena é que estes brilhantes estrategos da Política e da Economia tenham apenas descoberto a pólvora demográfica, nesta altura. Os governantes, todos eles, têm desconsiderado a demografia e o emprego e a Troika, que apenas vê cifrões, idem. Em três anos, nada fizeram nestes domínios. Agora, é que se lembraram de que não há fundos na Segurança Social, nem vai haver nos próximos anos, porque durante duas décadas, os idiotas que nos governam não criaram estratégias adequadas à natalidade, nem ao emprego. Pelo contrário, arrasaram estas duas vertentes reabilitadoras da economia e da Segurança Social. E poderíamos apontar, resumidamente, as falhas da governação que conduziram a este status quo:
1. A Saúde não apoia a natalidade do país, comparticipando na compra de leites, artigos de higiene, medicamentos de uso comum, tais como xaropes, vitaminas, alguns broncodilatadores, vacinas orais, incluindo as disponíveis contra rotavírus, vacinas injetáveis (antipneumocócicas), e as isenções fiscais e subsídios concedidos pelo Estado às famílias com filhos pequenos são miseráveis ou, em muitos casos, nenhuns.
2. Os mais jovens, cerca de 200 000 a 300 000, aqueles que pela sua juventude poderiam incrementar a demografia, foram e estão a ser, literalmente, expulsos do país, contribuindo para o aumento demográfico e económico de outros países.
3. O desemprego mais baixo, que os governantes procuram apregoar, com base na leitura de inscrições em Centros de Emprego, onde os desempregados entre 45 e 65 anos deixaram de se inscrever, porque, definitivamente, ninguém lhes dá trabalho, considerando, ao mesmo tempo, que quem está em formação profissional temporária e cumpre meia dúzia de horas de trabalho semanal está empregado, não passa de uma FRAUDE. Não havendo emprego, não só não há descontos para a Segurança Social, como aumentam os encargos desta instituição, através dos subsídios de desemprego.
4. Muitos dos jovens, que por cá ficam, porque ainda acreditam e têm esperança de um Portugal melhor, mesmo com boas habilitações literárias e profissionais, se não ingressarem na política ou no enorme batalhão de boys for the jobs ao serviço dos inúmeros setores da governação, seja qual for a sua cor política, nunca podem aspirar a grandes perspetivas de emprego ou de vencimento fixo, e, por tal motivo, não se atrevem a aumentar o agregado familiar, fazendo mais filhos. De resto, os poucos nascituros que ainda vão engrossando ligeiramente a nossa demografia, desgraçadamente, recebem já uma bela herança para pagar durante grande parte das suas vidas: uma dívida brutal, injusta, fruto da agiotagem e da corrupção crónica que os sucessivos governos alimentaram, durante décadas, como afirmam muitos vozes críticas atuais,…e nem precisamos de citar nomes, já que são bem sonantes e conhecidas…“numa plutocleptodemocracia sem quaisquer responsabilidades, nem criminais nem políticas”.
Só agora é que o FMI e o Governo descobriram que a Economia, Demografia, Emprego, Reformas e Pensões andam sempre juntos?!
João Frada
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segunda-feira, 21 de abril de 2014
NAQUELA MANHÃ TÃO FRIA
Naquela manhã tão fria, Algo prestes a rasgar,
junto ao cais, quando passei, algures à minha volta
baixinho disse-te adeus. uma forte tempestade,
Não esperava ver-te ali, um tufão, uma torrente
à distância de um aceno, um lago de desespero
de um soluço, de um gemido uma cova feia e fera,
um abismo de saudade,
Teus olhos postos nos meus, uma furna, uma cratera.
apenas por uns segundos.
Mas segui, continuei. De repente abriu-se a terra.
Traçara os rumos do mar. e nessa fenda surgiu
Era esse o meu sentido, o leito de um rio triste
em busca de novos mundos que há muito tempo secara.
p’ra me libertar de ti.
Não esperava ver-te ali O mar cheio de ansiedade,
naquela manhã tão fria: cansado dos teus gemidos,
teu olhar terno e sincero escoou-se ali lentamente.
colado em mim e no céu. E a maré, que transbordava,
A tua boca rezava sumiu-se, ficou vazia.
soluçando amargurada.
Enquanto o barco seguia Hoje sei que as tuas preces
quis dizer-te que voltava: e súplicas, naquele dia,
mas a minha boca calada foram decerto a semente
nada disse, emudeceu. dessas mudanças tão estranhas
E ali, à vista de terra que abalaram terra e mar.
e do teu olhar carente,
navegando docemente, Deus ouviu os teus pedidos,
senti o mar a tremer. um milagre acontecera:
o barco que me levava,
sem água p'ra navegar,
nunca mais dali saía...
João Frada, Olhos nos Olhos da Alma, Edições CLINFONTUR
junto ao cais, quando passei, algures à minha volta
baixinho disse-te adeus. uma forte tempestade,
Não esperava ver-te ali, um tufão, uma torrente
à distância de um aceno, um lago de desespero
de um soluço, de um gemido uma cova feia e fera,
um abismo de saudade,
Teus olhos postos nos meus, uma furna, uma cratera.
apenas por uns segundos.
Mas segui, continuei. De repente abriu-se a terra.
Traçara os rumos do mar. e nessa fenda surgiu
Era esse o meu sentido, o leito de um rio triste
em busca de novos mundos que há muito tempo secara.
p’ra me libertar de ti.
Não esperava ver-te ali O mar cheio de ansiedade,
naquela manhã tão fria: cansado dos teus gemidos,
teu olhar terno e sincero escoou-se ali lentamente.
colado em mim e no céu. E a maré, que transbordava,
A tua boca rezava sumiu-se, ficou vazia.
soluçando amargurada.
Enquanto o barco seguia Hoje sei que as tuas preces
quis dizer-te que voltava: e súplicas, naquele dia,
mas a minha boca calada foram decerto a semente
nada disse, emudeceu. dessas mudanças tão estranhas
E ali, à vista de terra que abalaram terra e mar.
e do teu olhar carente,
navegando docemente, Deus ouviu os teus pedidos,
senti o mar a tremer. um milagre acontecera:
o barco que me levava,
sem água p'ra navegar,
nunca mais dali saía...
João Frada, Olhos nos Olhos da Alma, Edições CLINFONTUR
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