Mostrar mensagens com a etiqueta tirania. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta tirania. Mostrar todas as mensagens

sábado, 11 de abril de 2015

PUNIÇÃO

Punição

Mil poemas de amargura

Rimas de fel e quebranto

Lanço aqui pra que se saiba

São minha herança futura

Que vos deixo a bom recanto

Devem ser lidos com raiva…

 
Pra todo o tirano ouvir

Se possível, assestados,

Curtos, grossos, poucas falas.

Hei de no inferno sorrir

Se souber que os meus recados

Fazem mais estragos que balas.

 
Pudesse fazer magia

Usaria cada verso

Como um gume de navalha

Pra punir a tirania

E qualquer ato perverso

De tanta gente canalha.

 
Calendas Poéticas 2000

sexta-feira, 25 de abril de 2014

UM ADEUS E UMA ESPERANÇA

Dizer em poesia um século inteiro,                            
é arte de difícil desempenho,                              
é obra de arquitecto que não sou                        
é caminho espinhoso sem roteiro                        
é fôlego de esteta que não tenho.                        
                                                                         
Que os deuses me iluminem                              
e a minha voz se erga, sibilina,
cantando nos meus versos a mensagem              
de um adeus, um hino de homenagem                
à paz entre os homens,                                      
à esperança nascida num sorriso,                        
ao mar revolto, poluído e manso,                        
às cinzas de quem jaz no meio da guerra,
a quem combate a tirania sem descanso,          
aos ideais que p'ra sempre desvendaram          
a mística, a ciência e a magia,                            
aos homens que rasgaram no seu tempo            
com as mãos horizontes de ousadia,                  
às raças que se enleiam sem reservas
e, em corpo e espírito, abraçam toda a Terra.

Que as minhas forças se juntem, assestadas,
contra o infortúnio que assola os deserdados
e os mártires da guerra, soterrados,
contra os esquálidos corpos, esfomeados,
máscaras tristes sem rosto, gaseadas,
contra as subtis razões da eutanásia
e os mostrengos clonados p'la genética.

Neste Pináculo do Tempo, digo adeus,
mas os versos são difíceis de rimar,
opulência e miséria, guerra e paz,
progresso, fome e abastança,
retrocesso, cibernética e robótica.

Quando no céu se estampar a cor da esperança
e um rio de amor transbordar fraternidade,
o Mundo há-de rodar e, na mudança,
num Império de justiça e temperança,
a paz há-de rimar com liberdade.

João Frada, Olhos nos Olhos da Alma, Edições CLINFONTUR