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domingo, 5 de fevereiro de 2017
A CHUVA
A chuva, fria, continuará a cair em fina toalha transparente ou em grossas gotas, como se os céus julguem lavar as nossas mágoas e refrescar os nossos vulcões adormecidos...
Açoita-nos o corpo e zurze-nos a pele, e parece que nos procura purificar o espírito, arrastando memórias vivas e dolorosas do nosso pensamento, numa furiosa enxurrada sem destino, mas só restará dessa escorrência um pantanal de miasmas e de sonhos que nunca se chegarão a realizar. Pobre e triste chuva...
João Frada
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
PRAIA DE MIRA - Perspetiva Histórica e Etnográfica (Das origens aos anos 80 do século XX)
"Praia de Mira: Perspetiva Histórica e Etnográfica (Das origens aos anos 80 do século XX)". 2ª edição revista e aumentada. Lisboa: Clinfontur Edições, 2016.
Autor: João Frada
Autor: João Frada
"Quando, por imperativos de ordem académica e cultural, nos sugeriram a
realização de um trabalho de campo sobre uma comunidade portuguesa qualquer,
cujos aspetos vivenciais fossem bem demonstrativos dum cenário de artes e
costumes, de preferência, sem significativas alterações civilizacionais,
patenteando, o mais possível, “o virtuosismo e o pitoresco ainda hoje mantidos
em tantos recantos do nosso país”, ponderámos, de imediato, a possibilidade de
centrar as nossas pesquisas sobre a Praia de Mira.
O estudo sobre esta pequena povoação do litoral atlântico, onde, de
uma maneira tão sui generis, se desenvolvem atividades de pesca no mar, quase nos mesmos moldes
artesanais, provavelmente, há mais de dois séculos, pareceu-nos ser a resposta
adequada a essas exigências académicas.
A descrição da arte-xávega, durante a qual os barcos e redes são
arrastados por bois e pela força braçal dos pescadores, homens e mulheres que
participam ativamente nesta faina, constitui, sem dúvida, a nota mais paradigmática
deste trabalho de natureza histórica e etnográfica."(In Introdução, p. 13)
Apresentação da obra – “Praia
de Mira: perspectiva histórica e etnográfica (das origens aos anos 80 do século
XX)”, do autor mirense João Frada.
No dia 13 de fevereiro, sábado, pelas
15 horas, decorreu no Centro Cultural e Recreativo da Praia de Mira, o
lançamento da obra – Praia de Mira: perspectiva histórica e etnográfica (das
origens aos anos 80 do século XX, da autoria do Professor Doutor João Frada,
dada à estampa pelas Edições Clinfontur.
Estiveram presentes, nesta cerimónia,
umas largas dezenas de amigos e conhecidos do autor.
A apresentação do livro foi da
responsabilidade do Sr. Dr. António Nabais, ilustre Museólogo e Historiador, o
qual exaltou a importância da obra no contexto da cultura e do património
local, regional e nacional.
As intervenções que se seguiram, em
torno deste título e desta nova edição do “Praia de Mira” (1ª edição, 1983),
bem como sobre a biografia e obra científica e literária do autor, couberam aos
restantes membros da mesa, o Sr. João Maria Nogueira, o Sr. Dr. Francisco Reigota,
Presidente da Junta de Freguesia da Praia de Mira, e o Sr. Dr. Raúl de Almeida,
Presidente da Câmara Municipal de Mira.
O autor, João Frada, depois de tecer
algumas considerações sobre o estudo acabado de editar, encerrou o evento
cumprimentando e agradecendo a solidariedade e a gentileza a todos quantos
quiseram prestar-lhe homenagem através da sua presença.
A excelente reportagem fotográfica
ficou a cargo do Zé Manel (Foto Zé Manel – Praia de Mira).
Marcando o encerramento da cerimónia,
foi servido um “Porto de Honra”.
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sábado, 14 de novembro de 2015
GUIA PRÁTICO MultiNormas - Novidade Editorial CLINFONTUR Edições
GUIA PRÁTICO MULTINORMAS
Este novo livro de João Frada, “Guia Prático MultiNormas”, 1.ª edição Clinfontur (2015), com 270
páginas, reúne grande parte da informação já publicada em 14 "reimpressões" (entre
1991-2009) de uma outra obra deste autor, “Novo Guia Prático para pesquisa,
elaboração e apresentação de trabalhos científicos”, com mais de 30 000 livros
vendidos.
Organizado em cinco partes distintas, o “Guia
Prático MultiNormas” aborda, não
só, os cuidados e orientações a ter em conta, pelo investigador, durante a recolha
e seleção dos dados, materiais e informações essenciais à apresentação e organização
de qualquer trabalho científico, projeto, relatório ou documento de natureza
curricular (modelos clássico ou europeu), como contempla, através de uma
adequada profusão de exemplos práticos, devidamente realçados ao longo da obra,
os múltiplos critérios, normas e sistemas de referenciação metodológica
aconselhados e seguidos nos mais diversos campos técnico-profissionais e académicos:
- ABNT (Associação Brasileira de Normas
Técnicas);
- APA (American Psychological Association)
- Autor-data;
- Chicago;
- NP (Norma Portuguesa) 405;
- Vancouver.
Contactos:
www.clinfontur.pt
Editora:
ed.clinfontur0208@gmail.com
OBRA acessível em todas as lojas FNAC
OBRA acessível em todas as lojas FNAC
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
AVALIAÇÃO DE MÉDICOS: NOVOS CERTIFICADOS PROFISSIONAIS
Avaliação de Médicos: novos certificados
profissionais
“Médicos vão ter de fazer
exames regulares para avaliar conhecimentos”
Os médicos, no setor público e privado, poderão vir a ser
avaliados sobre os seus conhecimentos e capacidades técnico-profissionais, de
cinco em cinco anos, por um júri constituído e designado pelo Ministério da
Saúde, pela Ordem dos Médicos e por representantes das várias Faculdades de
Medicina do país. A certificação das suas competências, a cargo dos respectivos
arguentes avaliadores, constituirá, na opinião de José Manuel Silva, atual
Bastonário da Ordem dos Médicos e de Paulo Macedo, Ministro da Saúde, a forma
mais adequada de garantir à população uma saúde segura e de qualidade, prestada
por técnicos dotados, responsáveis e eficientes. Inicialmente, segundo a ideia
defendida pelo mesmo Bastonário e apoiada, naturalmente, pelo Ministério da
Saúde, a sujeição a esta prova terá apenas um carácter voluntário. Assim,
ficará ao critério de cada um tal decisão: o profissional de saúde, público ou
privado, sujeitar-se-á ou não a este exame. Posteriormente, em data sine die, quando politicamente for
achado conveniente, a exigência passará a ser obrigatória.
Se esta medida, claramente, discricionária, apenas dirigida a uma
classe profissional, vier a ser implementada, antevemos um ambiente de guerra
terrível que virá a eclodir no seio da corporação médica, o qual não
favorecerá, de todo, uma melhor prestação dos cuidados de saúde
médico-assistencial em Portugal. Mas, a ver vamos.
Os médicos certificados voluntariamente ou não, através de uma
qualquer prova teórica ou teórico-prática, se para tal existirem estruturas e
júris, com fartura, capazes de assegurarem tal avaliação, esses, podem exercer
medicina. E os outros, os que porventura tropeçarem nessa prova?! Serão
reenviados para reciclagem nas Faculdades de Medicina ou terão de ficar de
quarentena profissional, sob a tutela do Ministério da Saúde, exercendo,
porventura e apenas, funções administrativas ou de fiéis de armazém, procedendo
à triagem das prendas ofertadas aos seus colegas “creditados” e, por isso
mesmo, em exercício?! Para onde irão? Irão ser convidados a emigrar?
Como será, Senhor Bastonário e Senhor Ministro?!
Poderemos tentar adivinhar, desde já, quantos médicos
Especialistas ou não, Assistentes Graduados hospitalares, com Mestrado,
Doutoramento e Pós-Doutoramento em Medicina e Cirurgia, que hoje exercem
clínica médica e cirúrgica, pública e ou privada, alguns com trinta ou quarenta
anos de prática assistencial, virão a sujeitar-se a um exame desta natureza,
tipo “Prova de Aptidão Pedagógica e Capacidade Científica exigida pelo
Ministério da Educação”!
Mas, se a medida é, em si mesmo, uma exigência discutível, ela tem
por objectivo conceder à população cuidados de saúde de boa qualidade, pelo
menos no que diz respeito aos praticantes da arte médica. Obviamente, no que
toca ao Ministério da Saúde, se ele cuidar também de garantir melhor e maior
acesso aos medicamentos e não restringir tanto a lista de fármacos e produtos
comparticipados, em particular os de Pediatria, como tem sido seu apanágio,
então o exercício médico-assistencial poderá, efectivamente, ganhar uma outra
qualidade e dimensão. Isto porque, a prática clínica não se exerce apenas com
técnicos diferenciados e “certificados”,
capazes de propiciar saúde e bem-estar ao seus utentes apenas com gestos
de mágica ou hipnose. Não. Os fármacos, conscientemente prescritos, a par dos
sábios conselhos emitidos, são indispensáveis e o acesso a estas “armas
terapêuticas” constitui um direito inalienável de todo o cidadão. O Senhor
Bastonário, já agora, poderia também ter uma palavra a dizer sobre esta
matéria. Melhorava, substancialmente, a possibilidade de garantir uma saúde
mais segura e eficaz aos nossos pacientes, sobretudo, aos mais carenciados.
O bem-estar da população não depende, porém, apenas de praticantes
de saúde. Os políticos, deputados e governantes, não são avaliados por ninguém,
nem sofrem grandes repercussões pelas suas incompetências, aselhices ou erros
crassos de governação, com repercussões altamente lesivas da saúde financeira,
psicológica e física da população, caída no desespero e na miséria.
Os magistrados, segundo Marinho Pinto, bem conhecedor da arte
jurídica, detêm “privilégios escandalosos à luz da realidade económica do país”
e sofrem de um megacomplexo de superioridade profissional, não se inibindo de
fazerem “uma espécie de chantagem política permanente”, nem de exercerem as suas
funções com artimanhas que lhes permitam atingir os seus objectivos pessoais e
corporativos: "Estão permanentemente a pôr processos, a inventar
processos, a prolongar artificialmente a duração de processos para terem os
políticos reféns das suas reivindicações, das suas exigências.” O ex-bastonário
da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, destaca ainda que apesar das “suas
cabeças brilhantes, os magistrados portugueses, na sua maioria, não só sofrem
de “falta de humildade”, como são “imaturos” e desconhecem a realidade da vida,
aspetos fundamentais ao exercício da sua profissão, que deverá ou deveria
pautar-se pela equidade, rigor e isenção, o que nem sempre acontece.
(http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1786763); (http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1694897.
A par dos médicos, professores (apenas alguns, por enquanto),
políticos e magistrados, alguém acha que outros profissionais, das mais
diversas áreas técnico-profissionais, funcionários públicos ou não, polícias,
militares, etc., não deveriam também ser sujeitos a avaliações periódicas e a
certificações das suas capacidades e competências, muitas delas, que, de igual
modo, põem em causa a harmonia, a segurança, o bem-estar, a condição vivencial,
financeira, económica, física e psicológica das populações?!
O que acharão Vossas Excelências, Senhor Bastonário da OM, José
Manuel Silva, e Senhor Ministro Paulo Macedo, disto tudo? A par dos exames que
propõem aos profissionais de saúde, justifica-se também, ou não, uma avaliação
geral de todos os outros profissionais, em Portugal? E quanto à avaliação do
desempenho, por exemplo, dos Ministros, será que somente as eleições devam
constituir bitola de aviso às falhas de competência ou de navegação
governativa? Ou, se bem se recorda, Senhor Dr. Paulo Macedo, será preciso ouvirem-se
protestos ou ameaças veladas dentro do Parlamento, a fim de se corrigirem
algumas trajectórias governativas, em favor da saúde dos utentes do SNS, como
já aconteceu?!
Gostávamos de saber.
Calendas Semânticas
João Frada
Professor Universitário (Ph.D.)
da FML
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quarta-feira, 19 de agosto de 2015
DISCORRÊNCIAS SOBRE A NATALIDADE EM PORTUGAL
Discorrências sobre a Natalidade em Portugal
“Mais de 1500 bebés nasceram
em Portugal até ao fim de julho” [2015]
Finalmente, a demografia
portuguesa, até agora, em queda livre, não só pela saída de gente jovem, em
massa, para o estrangeiro, na mira de emprego e melhores condições de vida, que
aqui lhes têm sido negados, como pela baixíssima natalidade verificada nesta
última década - 100.000 nascimentos a
menos – parece ter começado a soerguer-se.
Os governantes ousam
pronunciar-se, agora mais do que nunca, já que a campanha eleitoral está à
porta, defendendo e destacando o apoio à natalidade, como um dos pontos
fundamentais da sua “bandeira”. E que bandeira! Neste domínio, nunca foi tão
negra!
Apoio à natalidade, como?
Criando emprego mal pago e de
curta duração, a prazo, portanto, com a condição de desemprego sempre à vista e
também a prazo, situação esta, para os casais mais jovens, altamente
estimulante e convidativa à organização de vida e ao aumento do agregado
familiar?!
Será que é esta forma iníqua
de apoio à natalidade que o Governo tem em mente?
Pelo que temos visto, a menos
que muita coisa mude, rapidamente, a nível do sistema político, em particular,
nos domínios da Fiscalidade, da Saúde e da Segurança Social, não nos parece que
o Estado esteja decidido a criar as necessárias condições sociais e económicas
para mudar o atual “status quo”, conduzindo ao franco aumento da natalidade em
Portugal. Mesmo porque, isso custa dinheiro, e o que vemos constantemente é
sacar, sacar, e não dar ou apoiar o que quer que seja. O setor da Saúde, se bem
que com algumas notas positivas, no que toca a controlo de desperdícios e
gastos perdulários, continua a não estar atento à natalidade. Toda a gente sabe
que, sem natalidade, a Segurança Social está condenada a médio prazo e,
todavia, enquanto outros países europeus já acordaram há muito para este
gravíssimo problema demográfico, os nossos governantes continuam impávidos e
serenos, e, dizem eles, a preparar o futuro, mas sem novas gerações, ou melhor,
sem nenhumas gerações. Um grande futuro, não há dúvida!
Qualquer casal jovem, hoje em
dia, quando decide que é chegada a altura de assumir o nascimento de um filho,
sabe que não pode contar com apoios do Estado para nada.
Os produtos alimentares,
leites e farinhas lácteas, os artigos de higiene (fraldas, cremes, loções
adequadas às peles sensíveis e delicadas de bebés), os medicamentos
habitualmente prescritos e aconselhados em Pediatria, como sejam: vitaminas; xaropes
mucolíticos e anti-histamínicos; broncodilatadores, como é o caso do Brometo de
Ipratrópio (Atrovent PA inalador), usado em Aero-Chamber (câmara expansora);
vacinais orais - a Rotavírus e lisados bacterianos; vacinas injectáveis
(anti-meningite B), etc, etc., etc, nada tem comparticipação. O rol é imenso,
citámos apenas alguns…
Sem qualquer comparticipação
ou apoio para a aquisição de toda esta panóplia de produtos, qualquer jovem
casal que aqui decidiu residir, pelo menos, até agora, apenas pode contar
consigo próprio e com a família mais chegada para fazer face aos elevados
encargos de mais um ser para cuidar, vestir e alimentar.
Os encargos decorrentes das
necessidades diárias de uma criança, sobretudo, ao longo dos seus primeiros
anos de vida, são muito pesados para qualquer bolsa e, muito mais, para quem
vive numa permanente instabilidade de emprego e com baixos rendimentos mensais,
seja ou não qualificado em termos técnico-profissionais…com exceção,
naturalmente, da classe política, em particular, dos “Jotinhas” inscritos nos
vários “clubes”, onde não há desemprego e os salários, sobretudo, enquanto
futuros candidatos aos “jobs for de boys”, são sempre chorudos. Esses, até
podem contribuir para o aumento da natalidade! Como uma agravante, porém:
Jotinhas a gerarem Jotinhas, irão ser, amanhã, mais umas sanguessugas dispostas
a chupar o nosso magro erário público e, nessa medida, a crise global de
natalidade em Portugal, por carência de apoios estatais, irá persistir
eternamente. Oxalá eu me engane e tenha de
reconhecer que afinal o Estado e os nossos governantes decidiram, de uma vez,
tratar todos os casais portugueses por igual, concedendo apoios e subsídios suficientemente
estimulantes da natalidade, com vista a uma rápida renovação geracional capaz
de alterar, definitivamente, o nosso grande défice demográfico.
Calendas Semânticas 2000
João Frada
Médico e Professor
Universitário (Ph.D.) da FML
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segunda-feira, 17 de agosto de 2015
DILMA ROUSSEFF: Vícios e Sismos da Política Brasileira
Dilma Rousseff: vícios e sismos da política brasileira
Na sequência da última crónica
sobre Dilma Rousseff e os 107.000 comissionados, uma das múltiplas gotas a
fazer transbordar o copo de água da sociedade brasileira, centramo-nos agora
sobre os gigantescos e constantes protestos de contestação à sua gestão
presidencial, por todo o Brasil, manifestações estas cada vez mais difíceis de
aquietar.
Já antes e durante a
preparação e realização da COPA do Mundo, pudemos assistir a uma onda imensa de
protestos, alguns deles marcados pela fúria e violência da população que,
apesar da acção policial dura e enérgica, destruiu e vandalizou lojas e bens e
pôs em risco a segurança das ruas em múltiplas cidades do Brasil. Dilma
Rousseff, bem como grande parte dos que constituem o seu governo, de marca
trabalhista, sentindo-se insegura e, certamente, de consciência pouco
tranquila, deverão ter reflectido sobre a gravidade desta maré viva social tão
agressiva, e não tardaram as promessas anestésicas, para acalmar os ânimos.
Nada que qualquer político “escovado” e astuto não domine: técnicas eficazes de
hipno-acalmia, ainda que temporária, dos ânimos dos seus concidadãos mais
descontentes. Com os Jogos Olímpicos, agora à porta, agendados para agosto de 2016,
o povo vai assistindo a investimentos vultuosos para a sua preparação logística
e, como é óbvio, a outras tantas sangrias do erário público, como aconteceu com
a COPA, altamente desgastantes dos recursos de Estado, os quais deveriam, isso
sim, ser aplicados e bem geridos no desenvolvimento social e económico do país,
na criação de emprego para todos, no acesso à educação e no direito a uma saúde
pública de qualidade.
Os casos de alegadas práticas
de fraude, corrupção, desvio e lavagem de dinheiro da Petrobras, envolvendo
altos dirigentes de obras desta empresa, e de outros órgãos públicos, investigados
pela policial “Operação Lava Jato”, ao que parece, sob a sua anuência e inércia
governamental, bem como outros negócios ruinosos realizados por elementos do
seu governo, constituíram e constituem, nesta altura, pedras muito incómodas colocadas,
por Dilma Rousseff, dentro dos sapatos, sandálias e alpercatas de grande parte
da população brasileira. E não são apenas os “comissionados” (jobs for the
boys) que, integrados em regime temporário nos serviços de apoio logístico e
organizativo destes grandiosos, mas, também onerosos eventos, vieram pra ficar
efetivos, para sempre, na função pública, obrigando o Estado a suportar
encargos bem pesados e depauperantes da Fazenda Pública. É o somatório de uma
multitude de acções governativas insensatas e pouco rigorosas que fazem
estremecer a economia do Brasil e, pelos vistos, quais abalos sísmicos, vão
também fazendo oscilar a presença de Dilma Rousseff e do seu séquito governamental
mais privilegiado no cimo da altíssima pirâmide demográfica de cerca de 202
milhões de habitantes, grande parte deles, vivendo em condições económicas e
sociais muito complicadas. A economia neoliberal facilitada por Dilma Roussseff
e pelo seu governo não tem beneficiado, minimamente, as condições de vida dos
trabalhadores brasileiros, os quais, perante os salários baixos que recebem, a
tendencial elevação do custo de vida e as constantes sobrecargas tributárias,
sentem-se ameaçados e unem-se, agora, por todo o país, gerando uma onda tsunami
de protestos, greves e exigências de “Dilma impecheament” que, pelo andar da
maré, não sabemos onde, nem como vai acabar.
“Crise hídrica, eléctrica, aumentos de tarifas escorchantes [cargas
tributárias exorbitantes], elevação de
juros, desaceleração económica e desemprego que já bate à porta. Escândalos de
uma corrupção monumental em torno à mais simbólica das empresas públicas
brasileiras. Governo de joelhos, frente a um Congresso envolvido nas denúncias
de corrupção, comandado pelo histórico partido do toma-lá-dá-cá, o PMDB [Partido
do Movimento Democrático Brasileiro], e
frente a uma agenda económica conservadora. População dividida entre
postulações maniqueístas, conduzidas, em um dos polos, pelo que há de mais
conservador, retrógrado, tendenciosa e fascista em nossa direita e mídia
corporativa; e no polo oposto, por um governismo ingénuo, envergonhado ou
simplesmente hipócrita.”
[Valéria Nader e Gabriel Brito
– Falência do PT gera instabilidade política. Correio da Cidadania. 16
de março de 2015 – (http:/www.correiocidadania.com.br/índex.php?option=com_content&view=article&id=10596:manchete160315&catid=25:politica&Itemid=47)]
Os Olímpicos, tal como a COPA,
promovidos no Brasil, foram e são apenas um pretexto para expressar esse
descontentamento, todavia, os gastos com estas realizações não são de somenos
importância para os cofres de Estado de nenhum país. Projeta a imagem de um
povo e da sua cultura, movimenta e pode gerar riqueza entre privados, mas
quanto a ser uma aposta lucrativa para o Estado, essa é sempre a grande dúvida.
Movem-se muitos interesses, a corrupção anda de mãos dadas com os
mega-investimentos de qualquer governo, seja na construção de uma qualquer obra
faraónica, ponte ou auto-estrada, compra de submarinos ou organização de
grandes eventos desportivos. Resta, pois, saber se os elevadíssimos investimentos
públicos nestas tão grandiosas manifestações desportivas geram ou gerarão dividendos
e resultados de retorno que compensem e justifiquem a sua realização!
Se compararmos com o que
sucedeu entre nós, com os resultados da Expo 98, talvez compreendamos melhor
esta realidade.
A holding criada pelo Estado
português, em 1993, para assegurar a construção e realização da Expo 98 e para
continuar a proceder à reconversão do Parque das Nações, onde se realizou
aquele evento, devia aos bancos, segundo notícia de agosto de 2011, qualquer
coisa como 224 milhões de euros, o que representava um encargo de juros anuais
a pagar pelo Estado, ou seja, por todos os portugueses, da ordem dos 5 milhões
de euros. Segundo o relatório de contas de 2010, esta holding apresentava um
saldo negativo rondando os 40 milhões de euros.
Desvios, fraudes, derrapagens
de obras com orçamentos, viciosa e propositadamente, mal elaborados, alguns,
provavelmente, com vista a beneficiar terceiros, a par de estudos económicos
deficientemente estabelecidos, ainda que bem pagos aos seus executores, quais
as causas de tanto prejuízo?
O ministério atual de Assunção Cristas, atento
a tal descalabro, através de uma cuidadosa gestão deste dossier, herança
ruinosa de governos anteriores, espera poder abater esta tremenda dívida
acumulada e tem procedido a medidas eficazes nesse sentido.
(http://www.tvi24.iol.pt/economia/expo-98/parque-expo-as-empresas-os-negocios-e-o-prejuizo)
– notícia de 19.08.2011
Mas se restassem dúvidas em
relação ao impacto negativo deste último evento nas nossas contas, o EURO 2004
em Portugal foi mais uma tremenda machadada nas finanças públicas, já de si tão
magras. Ter-se-á gasto, à conta do Estado, em reformas dos estádios existentes
e na construção de outros (em Leiria, Aveiro, Faro, Coimbra, Braga e
Guimarães), cerca de 1,1 mil milhões de euros. Os custos de manutenção
posterior destas megaconstruções, constatados ainda nos nossos dias, custam aos
respectivos municípios milhões de euros anuais. Augusto Mateus, ex-ministro da
Economia, em julho de 2010, chegou mesmo a sugerir a demolição de alguns deles,
em particular, o de Aveiro, como forma de saneamento de despesas públicas.
A ter em conta os lucros que o
Estado português auferiu com a realização da EXPO 98 e com o EURO 2004, acreditamos
que o Brasil, no meio de tanta mazela governativa, e a uma outra escala, bem
entendido, não tenha assistido, nem venha a assistir, a “milagres de
transformação de milhões em biliões de reais”, durante a COPA e não vá, de
novo, observar esse milagre durante os Olímpicos daqui a um ano, em agosto de
2016.
E Dilma Rousseff, no meio de
tantos abalos sísmico-sociais, que se cuide.
Calendas Semânticas 2000
João Frada
Professor Universitário (Ph.D.) da FML
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sexta-feira, 31 de julho de 2015
JOBS FOR THE BOYS
Jobs for the Boys
O Governo de Dilma Rousseff arrocha (oprime)
brasileiros, mas mantém 107 mil cargos comissionados (“jobs for the boys”)
integrados no governo não por concurso público, realização de provas
curriculares ou entrega de reconhecidos títulos académico ou profissionais,
comprovativos de conhecimento e habilidade específica para o exercício destes cargos, mas por livre decisão e nomeação político-partidária.
Este enorme “exército” de gente não chegou ao Governo
do Brasil, apenas, pela mão do Partido Trabalhista PT), ao qual Dilma Rousseff e
Lula da Silva, seu antecessor na Presidência da República, pertencem. Não. Apesar
da maior expressividade e responsabilidade do PT neste contexto, o contingente
estes 107 mil “jobs for the boys” são o resultado das nomeações realizadas por
todos os outros partidos que, sucessivamente, têm passado pela governação deste
país.
Com remunerações que oscilam entre 1 e 40 salários
mínimos nacionais, esta lista de “cargos comissionados” constitui uma tremenda
sobrecarga para os cofres de Estado. Para apoiar a Copa do Mundo e as Olimpíadas
realizadas no Brasil, muitas das comissões então criadas com objectivos
temporários, após os eventos, numa grande maioria, nunca viriam a extinguir-se,
passando a permanentes. Atualmente com outras funções, principescamente pagas
(recebendo salários que chegam a atingir
os 22 mil reais), tendo em conta a média de vencimentos recebidos pela normal
função pública brasileira e o baixíssimo ordenado mínimo nacional (788 reais,
correspondendo a cerca de 214 euros), há comissionados espalhados por todos os setores da administração pública, verdadeiras peças de xadrez ao serviço de interesses, eminentemente, político-partidários.
As remunerações dos “jobs” de comissionados que ocupam
cargos de direcção e assessoramento superior, ministerial ou outro, chegam a
atingir os 14,3 mil reais mensais, sem ter em conta outros benefícios e
subvenções.
Notícia de 05 de março de 2015
Por cá, pior ainda. Segundo um estudo efectuado por
Patrícia Silva, investigadora do Departamento de Ciências Sociais, Políticas e
do Território da Universidade de Aveiro, o qual viria a constituir o material
da sua tese de doutoramento, defendida na mesma instituição, das “11 mil
nomeações celebradas em 15 anos pelos sucessivos e diferentes partidos” que
passaram pela governação portuguesa, entre 1995 e 2009, abrangendo os
executivos de Cavaco Silva, António Guterres, Durão Barroso, Santana Lopes e
José Sócrates, a maioria serviu apenas para “recompensar lealdades partidárias”.
Estas conclusões foram confirmadas por entrevistas realizadas,
por esta investigadora, a “51 dirigentes políticos, ministros e observadores
privilegiados da política portuguesa". (…) "Há um alinhamento
[notório de índole político], " entre os partidos que estão no governo e
as pessoas à frente" da administração pública do país.
Houve já quem tivesse tido um rasgo de sensatez e de moralidade
ético-política, pondo a hipótese de acabar com tantos “jobs for the boys”:
António Guterres. Tendo acabado de tomar posse como primeiro-ministro, em 1995,
manifestou nessa altura esta saudável e bem-vinda decisão político-administrativa.
Não passaria, porém, de uma boa intenção. Vinte anos depois, como nos afirma e
prova a ilustre investigadora da Universidade de Aveiro, as nomeações para
cargos públicos quer de direcção, quer de quadros técnicos, continuam a
verificar-se e a serem influenciadas pelos interesses, não do país, mas dos partidos
políticos…todos eles.
No seu estudo, a autora, depois de analisar e comparar
esta realidade a nível de diversos países, constatou que esta estratégia
viciosa de gestão político-administrativa, com sérias repercussões sobre o
erário público, face aos elevados salários ou remunerações pagos a tantos assessores,
jovens especialistas técnicos disto e daquilo, alguns deles acabados de sair dos
bancos das universidades, "não é exclusiva de Portugal". "Nos
casos de uma administração pública permanente, como no Reino Unido, os
ministros sentem-se desconfortáveis em trabalhar com essas administrações,
nomeiam “special advisors” e contornam estas limitações", diz-nos Patrícia
Silva.
Paulo Morais, vice-presidente da Transparência e
Integridade, Associação Cívica, sobre o mesmo assunto, afirma-nos que esta
realidade tem um "Impacto económico tremendo", nas contas do país.
"Só por milagre um boy de uma juventude
partidária, habituado a organizar jantares e comícios, consegue fazer um bom
trabalho num organismo público", critica Morais. O investigador reconhece
que "há milagres, mas a regra é que [os nomeados] tomem decisões
incompetentes e erradas".
O dirigente da TIAC admite que, no "círculo mais
restrito da execução de políticas, se recrutem pessoas de confiança [dos
governos], mas sempre com competência", sublinhando que "esse
critério da confiança faz sentido num universo de cem pessoas, não de cem
mil".
O governo atual, PSD/CDS, em 2012, através da criação
da Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública (Cresap),
reaproveitando a ideia de Guterres, parece ter dado um passo em frente, ainda
que curto e inseguro, para a moralização definitiva deste problema, de modo a
que o recrutamento para cargos públicos possa vir a efectuar-se, não por cunhas,
simpatias ou influências político-partidárias, mas por mérito e competências
profissionais e curriculares. João Bilhim, presidente da Cresap, acredita que
esta mazela político-legislativa tem os dias contados. Mas, nem todos os
analistas compartilham desta visão optimista. Paulo de Morais afirma que ainda
é cedo para se fazer uma avaliação do novo paradigma, lembrando, todavia, que "em
teoria, é melhor que o anterior". "A questão é saber se vem romper
com o modelo anterior ou se o vai branquear."
(http://www.publico.pt/multimedia/video/estudo-prova-que-existem-mesmo-jobs-for-the-boys-201421217062)
Como última achega a esta análise, resolvemos comparar
os números de “jobs for the boys” que se apontam, quer para o Brasil, país com 202,7
milhões de habitantes (dados demográficos de 2014), quer para Portugal, com
cerca de 10,6 milhões de habitantes (2014).
Tendo em conta que no país irmão, como uma população
vinte vezes superior à nossa (isto é, mais de 200 milhões de habitantes), se
contabilizam 107.000 “nomeações políticas”, por cada 10 milhões de habitantes brasileiros
há cerca de 5 a 6.000 cargos públicos comissionados. Portugal, com uma
população de 10, 6 milhões de habitantes e 11.000 “cargos” de nomeação
política, apresenta uma taxa de “jobs for the boys” duas vezes superior à do
Brasil.
É perdularismo, governação insensata, grande complexidade
de gestão e administração pública dos recursos do país, mania das grandezas?!
Quais serão as razões que levam o Estado português e
os governos sucessivos a não alterarem este paradigma do desperdício e do esbanjamento,
continuando a legislar, a proteger e a perpetuar situações tão aberrantes como
esta, dos largos milhares de “jobs for the boys”, realidades profundamente gravosas
para os cofres públicos e para a economia nacional?!
Perguntamos,
porque é nosso dever interpelar quem nos governa, mas todos nós sabemos a
resposta.
Como
diria Eça de Queiroz, “mudam-se as moscas e a… [história] continua a ser a mesma…”.
Calendas Semânticas
João
Frada
Professor
Universitário (Ph.D.) da FML
Etiquetas:
Brasil,
cargos comissionados,
Dilma Rousseff,
esbanjamento,
Jobs for the boys,
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