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domingo, 2 de fevereiro de 2014
CREPÚSCULO
Quem dera que eu não visse esse crepúsculo
e a hora da partida não chegasse
e não fosse tão longe o nosso adeus
que te leva, meu amor, de volta à praia…
E tu, meu sol, eternamente pelos céus,
não mais me deixarias na penumbra…
Quem dera que o crepúsculo não chegasse
e tu me iluminasses todo o dia
e fosses meu tronco e minha sombra…
Libertava-me, de vez, desta agonia,
sem que o resto do mundo me importasse.
Quem dera, meu amor, que a tua ausência
não passe de uma onda que desmaia
ou de um barco, sem leme e marinheiro,
que não parte nem pode navegar.
Regressa, meu amor, assim ligeiro,
vem antes do crepúsculo me cegar.
Quem dera que não visse outro crepúsculo
para te ter mais tempo junto a mim.
Sonhando que sou hera, que sou flor
e tu um simples cravo ou um arbúsculo,
duas flores de mãos dadas num jardim.
João Frada
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Poesia
sábado, 1 de fevereiro de 2014
O Instante que Passa
O instante que passa, quando o procuras gravar nos teus sentidos, já passou…
Mas ficou, fica sempre algo impercetível, coisa pouca que se aninha dentro de ti algures no peito, nas retinas dos teus olhos, nos ouvidos, na alma, até, se ela for capaz de o pressentir, de estremecer com esse instante que quase não tem rasto, de agonizar quando uma paixão veloz cruza o céu e morre como estrela cadente, no seio da tua noite, amargurada. Não mais se repete esse célere momento que passou num ápice e dele só te há de ficar uma lembrança doce ou amarga, pesada ou leve, duradoura e fugaz, mas sempre um instante.
Os teus instantes hão de fluir, assim, junto de ti, soltos, imprevistos, excêntricos, cândidos, misteriosos, infernais, como ventos indomáveis de invernia. Não tentes desviá-los do seu rumo, não procures acorrentá-los numa clausura forçada, não lhes traces o percurso de um destino, deixa-os passar livremente por dentro de ti, procura apenas respirá-los como se eles fossem o teu fôlego vital, e cada instante assim absorvido, na tua mente e no teu espírito, constituirá a certeza de que viveste a infinitesimalidade possível de cada um deles, momentos únicos que nunca mais se virão a repetir.
João Frada
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BREJEIRICE “ARY-BOCAGIANA”: LIXADOS COM “F”
Com tanta taxa e imposto
há quem viva num delírio
carpindo-se sem cessar
entre suspiros e ais.
Há quem carregue no rosto
o peso deste martírio
e não se deixe abalar
gritando: “Fora o Governo
está na hora de mudar
já nos roubaram demais!”
Um regabofe de gente
pendurada no povinho,
vivendo à grande e à francesa
bandidos de colarinho
branco ou preto, tanto faz,
trafulhas com ar decente,
todos roubam com largueza,
saca mais quem é audaz.
Do proxeneta ao ladrão,
do corrupto ao mentiroso,
do falsário ao magarefe…
todos vão metendo a mão.
Mas se não se acautelar
esta trupe mequetrefe,
do jeito que as coisas estão,
quando mal se precatar
será lixada com “f”.
há quem viva num delírio
carpindo-se sem cessar
entre suspiros e ais.
Há quem carregue no rosto
o peso deste martírio
e não se deixe abalar
gritando: “Fora o Governo
está na hora de mudar
já nos roubaram demais!”
Um regabofe de gente
pendurada no povinho,
vivendo à grande e à francesa
bandidos de colarinho
branco ou preto, tanto faz,
trafulhas com ar decente,
todos roubam com largueza,
saca mais quem é audaz.
Do proxeneta ao ladrão,
do corrupto ao mentiroso,
do falsário ao magarefe…
todos vão metendo a mão.
Mas se não se acautelar
esta trupe mequetrefe,
do jeito que as coisas estão,
quando mal se precatar
será lixada com “f”.
João Frada
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
SER LIVRE
De quê? De quem? De que forma? Quando? No passado? Hoje? Amanhã? De mim? Dos que me rodeiam? Dos que me amam? Dos que me odeiam? Dos que me governam?
Ninguém é livre em vida, só na morte…
Ser livre, afinal, enquanto condição absoluta, desprendido de tudo e de todos, da Natureza, da sociedade e dos homens, é pois uma utopia. Nem os pássaros, livres pelos campos, pelos céus, são verdadeiramente livres. Dependem da Natureza para se alimentarem, reproduzirem, sobreviverem. São quase livres, mas não, de todo, livres.
Porém, invejo-os. São tudo aquilo que de mais livre existe. Quero ser como eles, quero romper com tudo o que me amarra, quero voar sobre o mar sobre a montanha, quero ser livre, escondido e esquecido do espaço e do tempo, que não são apenas meus, que tenho de repartir com gente estranha.
Quero fugir dessa realidade existencial que amortalha os meus sentidos, que me não deixa escolher o meu destino.
Quero encontrar essa mágica chave, antes que minh´alma parta deste mundo,
E rodá-la, abrindo-me ao infinito bem profundo, como se eu fosse no céu o espírito de uma ave e voasse então, num sonho, livre, liberto de mágoas e de lutos,
Esperando que esse voo me conforte, quero sentir-me livre por minutos, quero sentir-me livre em vida e não na morte.
João Frada
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
“Défice baixou, mas austeridade vai manter-se.”
Notícia “Saponews”acabada de entrar no meu telemóvel:
“Défice baixou, mas austeridade vai manter-se.”
“Défice baixou, mas austeridade vai manter-se.”
Como eu, milhares ou milhões de portugueses, à espera de ouvir a boa notícia de que alguém responsável pela crise, pelo descalabro das contas públicas, pela agiotagem que nos tem governado o tempo todo, agora e antes, e são tantos que por aí andam às claras, convencidos que são invisíveis, foi sovado, e bem sovado, logo pela manhã, quando dobrava a esquina para comprar o Jornal Económico, tomar o café e comer o brioche na pastelaria do costume, por um bando de desconhecidos esfomeados que lhe roubaram o telemóvel, os quatro cartões dourados de crédito com plafond de 15.000€ cada, os duzentos euros para as refeições do dia, ouvimos, ou melhor, pudemos confirmar através desta “notícia gasta e idiota”, o que toda a gente previa e sabe: que o défice baixou, porque teria que baixar, mais hora menos hora, depois de tanta sangria fiscal e de tantas taxas e “ordinárias” contribuições extraordinárias emitidas pelo governo, ainda que seja um sol de pouca dura, à vigarice e corrupção que por aí abunda, e que a austeridade a que forçosamente nos sujeitam, para tapar os gigantescos buracos orçamentais que escavaram e ajudaram a escavar, veio para ficar. Bela notícia, esta, do Saponews!! Ainda se alguém levasse a dita sova, ah, isso sim, era uma excelente notícia. Parafraseando uma linguagem ministerial: Que se lixe o Saponews.
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PORTUGAL ESTÁ OU NÃO EM ESPIRAL ECONÓMICA RECESSIVA?
Coface: "Já não vemos risco de espiral recessiva em Portugal"⃰
João Frada
Professor Universitário
21 Janeiro 2014, 08:00 por Edgar Caetano | edgarcaetano@negocios.pt
“Portugal e Espanha já fizeram boa parte das reformas estruturais que eram necessárias. Agora o desafio é estimular a procura interna e procurar gerar um “círculo virtuoso”, diz a Coface, que há um ano temia uma “espiral recessiva” em Portugal.”
Julien Mancilly (…) é economista e responsável pela pesquisa sobre “Risco País”, tema da conferência anual da seguradora de créditos francesa Coface (Compagnie Française d'Assurance pour le Commerce Extérieur).
(…)
Mancilly falou com os jornalistas portugueses à margem da conferência, que decorre esta terça-feira em Paris.
Que previsões faz a Coface sobre a economia da Zona Euro em 2014?
Passámos a ter uma visão mais positiva acerca da Zona Euro, em relação a há alguns meses. A recessão profunda que sofremos terminou, mas continuará a haver grandes divergências entre os vários países da Zona Euro. Numa visão simplista, temos a Alemanha e temos todos os outros.
(…)
E, em particular, para Portugal?
Em Portugal, prevemos um crescimento de 0,5%. Há algumas notícias positivas em Portugal, tal como há em Espanha (…). A economia está a transformar-se, na nossa opinião, e está a virar-se mais para o comércio externo.
Os problemas que se mantêm são a baixa procura interna, a escassez de crédito e a taxa de desemprego elevada. Com um crescimento de 0,5%, mesmo que estejamos a ser demasiado pessimistas e seja um pouco mais, o desemprego vai manter-se em níveis elevados por muito tempo.
O que deve o País fazer para fomentar melhor perceção de risco?
A situação de Espanha e Portugal é diferente de França e Itália. As reformas estruturais estão feitas em Espanha e Portugal, em grande medida. O problema é outro e prende-se com a procura interna. Teremos de esperar para ver se as famílias vão poupar mais ou se vão investir mais. Se o sector privado investir mais, com a ajuda das exportações, talvez o país entre num círculo virtuoso.
Está a falar na possibilidade de um círculo virtuoso em países como Portugal. Há um ano, sobre o mesmo país, falava no risco de uma “espiral recessiva”. Ainda se revê nessa opinião?
Não. Já não é um cenário que consideremos provável.
(…)
⃰ Em Paris a convite da COFACE
REFLEXÃO
Com um crescimento de 0,5% e com um desemprego que, ao contrário do que os nossos governantes apontam, baseados em estatísticas erradas e manipuladoras, tenderá a manter-se em níveis elevados por muito tempo, pensamos que a espiral económica recessiva veio para ficar e sufocar lentamente a maioria das famílias portuguesas. E não serão as exportações que nos virão a servir de catapulta essencial à reabilitação da economia interna do país e consequentemente à melhoria das condições de vida da população. Os cortes tremendos e duradouros a que se referia recentemente a atual ministra das Finanças são a prova disso.
O empobrecimento causado pela constante sangria tributária, sob a forma de impostos, taxas e contribuições obrigatórias, esvaziando o poder de compra da maioria das famílias, tem levado a uma profunda retração da economia interna e, pelos vistos, contrariando as previsões estupidamente pessimistas de alguns analistas e papagaios ao serviço da propaganda governamental, tende a durar e a agravar-se. Os bancos, reconhecendo a situação caótica em que se encontram famílias e empresas, sujeitas a enormes dificuldades, consideram-nas clientes financeiramente inviáveis e pouco fiáveis e, temendo aumentar o crédito mal parado e as situações de dívida, não lhes concedem quaisquer empréstimos. A espiral económica recessiva persiste.
Julien Mancilly, da Coface, pelos vistos, pouco conhecedor da realidade portuguesa, dá uma cravo e outra na ferradura e, com as necessárias reticências, como convém a qualquer inteligente nestas áreas da economia e da finança, afirma que “os problemas que se mantêm são a baixa procura interna, a escassez de crédito e a taxa de desemprego elevada.” Todavia, mais adiante, na sua entrevista (supracitada), diz-nos que apesar de um crescimento de 0,5%, mesmo que estejamos a ser demasiado pessimistas e seja um pouco mais, o desemprego vai manter-se em níveis elevados por muito tempo.”
Parece querer reivindicar a descoberta da pólvora!
Julien Mancilly diz-nos mais, do alto da sua “cátedra”, enquanto especialista da Coface:
“Teremos de esperar para ver se as famílias vão poupar mais ou se vão investir mais. Se o sector privado investir mais, com a ajuda das exportações, talvez o país entre num círculo virtuoso.”
Pelos vistos, Julien Mancilly desconhece as estatísticas da organização social em Portugal. Não tem a noção de quantas famílias se encontram em total incapacidade de fazer tal esforço de poupança para levantar o país do caos económico em que se encontra. Para 2012, a sociedade portuguesa, em termos de capacidades económicas,… e o panorama entre 2012 e 2014 piorou indiscutivelmente, atirando mais famílias para a pobreza…, apresentava percentagens de 27,3 % para a classe Baixa; 29,8% para a classe Média Baixa; 27,5% para a classe Média; 15,4% para a classe Alta e Média-Alta.
Atendendo a estes valores percentuais, será fácil percebermos que a grande maioria da população carenciada e sem grandes recursos corresponderá, com pequenos desvios e atendendo às oscilações para um cenário que piorou entre 2012 e 2014, a 84,6% do contingente demográfico global do país.
Sujeitos a uma profunda sangria fiscal, confrontados com um custo de vida altamente inflacionista e inflacionado sem qualquer controlo estatal, mergulhados num pântano de desemprego que ninguém contesta existir, …apenas os ceguinhos dos nossos governantes teimam em não ver, apegados a estatísticas duvidosas e falaciosas…, sem poder de compra, sem acesso ou com muito pouco acesso ao crédito bancário, com vencimentos precários constantemente reduzidos, reformas e pensões cada dia mais baixas, os portugueses em maiores dificuldades, representando quase 85% da população do país, poderão algum dia ter hipótese de aspirar a ter uma vida digna e sem angústias, sem o espetro da fome e da miséria a rondar-lhes a porta?!
Poupar?! aconselha Jean Mancilly… Poupar o quê? Mais um anafado que, para além do “rei na barriga”, fala de barriga cheia. Cá, lá e pelo caminho é o que mais se vê: gente de pança cheia que apenas consegue ver o seu umbigo.
João Frada
Professor Universitário
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terça-feira, 21 de janeiro de 2014
QUE SE NÃO LIXEM AS ELEIÇÕES
Que se lixem as eleições, diria Passos Coelho há uns tempos.
Que se não lixem as eleições, quero ganhar as eleições de 2015, diz agora Passos Coelho.
Andará o homem baralhado ou fazem parte dos “faits divers” político-comunicacionais estes fingimentos?
Temos que aumentar a carga fiscal, para reduzir o défice e reduzir a dívida pública, disse ele e melhor o fez. Armazenou dividendos bem para além do que o previsto e imposto pela Troika. E acena, agora, com diminuição da carga fiscal, à espera de que “não lhe lixem as eleições”, como ele próprio, tão despreocupadamente, desejou em tempos. O povo, pensa ele, é burro, amnésico e “de memória curta”, e há que ter em conta esta importante certeza sobre o eleitorado, à boca das urnas. De resto, pensará ele, se estas bestas vierem a sentir alívio na “carga” fiscal e aumento dos seus vencimentos, reformas e pensões, não obstante estarem a receber apenas uma pequena parte do que lhes já lhes foi subtraído ou roubado, depende da perceção, até os idiotas dos funcionários públicos, reformados e no ativo, pensarão que chegou o D. Sebastião. E votarão em massa na sua excelsa e inteligente pessoa, o caudilho que faltava a esta nação, o salvador da pátria. Quando se olha ao espelho ou se vê projetado na sua solenidade segura e bem-falante nos écrans televisivos, nas entrevistas, nos congressos, seja onde for, mesmo onde é vaiado e insultado “até às últimas”, sente que muitos ignorantes não o entendem, não percebem as suas aflições nem os enormes compromissos que assumiu com tantas entidades da banca e da finança internacional, necessariamente, em prol da sociedade e do país. Embora Batista Bastos e Marcelo, para além de outros de “memória mais longa”, não comunguem desta opinião, Passos Coelho sente-se não um pérfido tirano mas um justo restaurador da saúde económica e financeira da nação. Os resultados, na sua opinião, estão à vista. O ano de 2014 virá provar a sua teoria. A baixa do desemprego e a melhoria do nível de vida dos portugueses virão para ficar…a par da queda de carga fiscal, como ele acabou de anunciar há poucos dias. O custo de vida, dada a inflação decrescente a que se assiste e ao controlo dos bens de primeira necessidade, eletricidade, água, luz, gás, telecomunicações e transportes, sob controlo rígido e atento da sua governação, está neste momento também a melhorar e, por todos os motivos e mais um ― “Que se não lixem as eleições”, Passos Coelho pede a maioria absoluta. Vamos a ver se esta maioria se traduz em votos nulos, favoráveis ou desfavoráveis à sua reeleição nas próximas legislativas, previstas para 2015.
João Frada
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