terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

QUEIXUME

ELA:

“Há sempre alguém
Entre mim e ti:
Uma claridade que domina,
Uma sombra que te desfaz,
Um corpo que te esconde…”

[citando] Jorge de Sena

ELE: [“Réplica” ao lindíssimo Poema de Jorge de Sena]

Há sempre um qualquer senão
que surge, como realças,
uma luz, uma sombra, um corpo
que nos tolhe sem quartel,
gerando esperanças falsas.
É maldição, é má sorte,
É o destino cruel
Que fez de nós sua aposta
E nos persegue de perto?
Quando, enfim, busco a razão
Meu amor, pra tanto azar,
Sinto os neurónios às voltas
E nunca sei a resposta.
Apetece-me gritar:
Ou é do cu ou das calças.

João Frada 

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Sacos e Mochilas Escolares



Petição apela ao fim das mochilas pesadas na escola – APEE-AEAA

apee-aeaa.pt/2017/01/peticao-apela-ao-fim-das-mochilas-pesadas-na-escola/

Mochilas e sacos escolares gordos e pesados, “fardos” diários e obrigatórios sobre os ombros dos mais jovens, só agora, pasme-se, viriam a constituir motivo de preocupação entre a sociedade civil, quase sempre mais atenta às faltas e falhas de arbitragem futebolística do que às posturas viciosas que, de há muito, se vão desenhando sobre o esqueleto destes pequenos sherpas. Esperemos que este acordar de consciências encontre também algum eco entre os nossos parlamentares, criando legislação e as necessárias condições para eliminar e prevenir alguns desses transtornos esquelético-musculares.    

LER TEXTO: “Sacos e Mochilas - pesos de hoje e fardos de amanhã” Partes I e II). In News.FML. 2010

Sacos e Mochilas - Parte II

Joao Frada
Médico/Professor Universitário (Ph.D.) FML

domingo, 5 de fevereiro de 2017

A CHUVA


A chuva, fria, continuará a cair em fina toalha transparente ou em grossas gotas, como se os céus julguem lavar as nossas mágoas e refrescar os nossos vulcões adormecidos...
Açoita-nos o corpo e zurze-nos a pele, e parece que nos procura purificar o espírito, arrastando memórias vivas e dolorosas do nosso pensamento, numa furiosa enxurrada sem destino, mas só restará dessa escorrência um pantanal  de miasmas e de sonhos que nunca se chegarão a realizar. Pobre e triste chuva...  

João Frada   

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

PRAIA DE MIRA - Perspetiva Histórica e Etnográfica (Das origens aos anos 80 do século XX)

"Praia de Mira: Perspetiva Histórica e Etnográfica (Das origens aos anos 80 do século XX)". 2ª edição revista e aumentada. Lisboa: Clinfontur Edições, 2016.
Autor: João Frada


"Quando, por imperativos de ordem académica e cultural, nos sugeriram a realização de um trabalho de campo sobre uma comunidade portuguesa qualquer, cujos aspetos vivenciais fossem bem demonstrativos dum cenário de artes e costumes, de preferência, sem significativas alterações civilizacionais, patenteando, o mais possível, “o virtuosismo e o pitoresco ainda hoje mantidos em tantos recantos do nosso país”, ponderámos, de imediato, a possibilidade de centrar as nossas pesquisas sobre a Praia de Mira.
O estudo sobre esta pequena povoação do litoral atlântico, onde, de uma maneira tão sui generis, se desenvolvem atividades de pesca no mar, quase nos mesmos moldes artesanais, provavelmente, há mais de dois séculos, pareceu-nos ser a resposta adequada a essas exigências académicas.
A descrição da arte-xávega, durante a qual os barcos e redes são arrastados por bois e pela força braçal dos pescadores, homens e mulheres que participam ativamente nesta faina, constitui, sem dúvida, a nota mais paradigmática deste trabalho de natureza histórica e etnográfica."(In Introdução, p. 13) 

Apresentação da obra – “Praia de Mira: perspectiva histórica e etnográfica (das origens aos anos 80 do século XX)”, do autor mirense João Frada.

No dia 13 de fevereiro, sábado, pelas 15 horas, decorreu no Centro Cultural e Recreativo da Praia de Mira, o lançamento da obra – Praia de Mira: perspectiva histórica e etnográfica (das origens aos anos 80 do século XX, da autoria do Professor Doutor João Frada, dada à estampa pelas Edições Clinfontur.
Estiveram presentes, nesta cerimónia, umas largas dezenas de amigos e conhecidos do autor.
A apresentação do livro foi da responsabilidade do Sr. Dr. António Nabais, ilustre Museólogo e Historiador, o qual exaltou a importância da obra no contexto da cultura e do património local, regional e nacional.
As intervenções que se seguiram, em torno deste título e desta nova edição do “Praia de Mira” (1ª edição, 1983), bem como sobre a biografia e obra científica e literária do autor, couberam aos restantes membros da mesa, o Sr. João Maria Nogueira, o Sr. Dr. Francisco Reigota, Presidente da Junta de Freguesia da Praia de Mira, e o Sr. Dr. Raúl de Almeida, Presidente da Câmara Municipal de Mira.  
O autor, João Frada, depois de tecer algumas considerações sobre o estudo acabado de editar, encerrou o evento cumprimentando e agradecendo a solidariedade e a gentileza a todos quantos quiseram prestar-lhe homenagem através da sua presença.  
A excelente reportagem fotográfica ficou a cargo do Zé Manel (Foto Zé Manel – Praia de Mira).
Marcando o encerramento da cerimónia, foi servido um “Porto de Honra”.   

sábado, 14 de novembro de 2015

GUIA PRÁTICO MultiNormas - Novidade Editorial CLINFONTUR Edições

GUIA PRÁTICO MULTINORMAS

Este novo livro de João Frada, “Guia Prático MultiNormas”, 1.ª edição Clinfontur (2015), com 270 páginas, reúne grande parte da informação já publicada em 14 "reimpressões" (entre 1991-2009) de uma outra obra deste autor, “Novo Guia Prático para pesquisa, elaboração e apresentação de trabalhos científicos”, com mais de 30 000 livros vendidos.

Organizado em cinco partes distintas, o “Guia Prático MultiNormas” aborda, não só, os cuidados e orientações a ter em conta, pelo investigador, durante a recolha e seleção dos dados, materiais e informações essenciais à apresentação e organização de qualquer trabalho científico, projeto, relatório ou documento de natureza curricular (modelos clássico ou europeu), como contempla, através de uma adequada profusão de exemplos práticos, devidamente realçados ao longo da obra, os múltiplos critérios, normas e sistemas de referenciação metodológica aconselhados e seguidos nos mais diversos campos técnico-profissionais e académicos:
- ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas);
- APA (American Psychological Association)
- Autor-data;
- Chicago;
- NP (Norma Portuguesa) 405;
- Vancouver.

Contactos: www.clinfontur.pt
Editora: ed.clinfontur0208@gmail.com

OBRA acessível em todas as lojas FNAC








quinta-feira, 20 de agosto de 2015

AVALIAÇÃO DE MÉDICOS: NOVOS CERTIFICADOS PROFISSIONAIS

Avaliação de Médicos: novos certificados profissionais

 “Médicos vão ter de fazer exames regulares para avaliar conhecimentos”

Os médicos, no setor público e privado, poderão vir a ser avaliados sobre os seus conhecimentos e capacidades técnico-profissionais, de cinco em cinco anos, por um júri constituído e designado pelo Ministério da Saúde, pela Ordem dos Médicos e por representantes das várias Faculdades de Medicina do país. A certificação das suas competências, a cargo dos respectivos arguentes avaliadores, constituirá, na opinião de José Manuel Silva, atual Bastonário da Ordem dos Médicos e de Paulo Macedo, Ministro da Saúde, a forma mais adequada de garantir à população uma saúde segura e de qualidade, prestada por técnicos dotados, responsáveis e eficientes. Inicialmente, segundo a ideia defendida pelo mesmo Bastonário e apoiada, naturalmente, pelo Ministério da Saúde, a sujeição a esta prova terá apenas um carácter voluntário. Assim, ficará ao critério de cada um tal decisão: o profissional de saúde, público ou privado, sujeitar-se-á ou não a este exame. Posteriormente, em data sine die, quando politicamente for achado conveniente, a exigência passará a ser obrigatória.
Se esta medida, claramente, discricionária, apenas dirigida a uma classe profissional, vier a ser implementada, antevemos um ambiente de guerra terrível que virá a eclodir no seio da corporação médica, o qual não favorecerá, de todo, uma melhor prestação dos cuidados de saúde médico-assistencial em Portugal. Mas, a ver vamos.
Os médicos certificados voluntariamente ou não, através de uma qualquer prova teórica ou teórico-prática, se para tal existirem estruturas e júris, com fartura, capazes de assegurarem tal avaliação, esses, podem exercer medicina. E os outros, os que porventura tropeçarem nessa prova?! Serão reenviados para reciclagem nas Faculdades de Medicina ou terão de ficar de quarentena profissional, sob a tutela do Ministério da Saúde, exercendo, porventura e apenas, funções administrativas ou de fiéis de armazém, procedendo à triagem das prendas ofertadas aos seus colegas “creditados” e, por isso mesmo, em exercício?! Para onde irão? Irão ser convidados a emigrar?
Como será, Senhor Bastonário e Senhor Ministro?!
Poderemos tentar adivinhar, desde já, quantos médicos Especialistas ou não, Assistentes Graduados hospitalares, com Mestrado, Doutoramento e Pós-Doutoramento em Medicina e Cirurgia, que hoje exercem clínica médica e cirúrgica, pública e ou privada, alguns com trinta ou quarenta anos de prática assistencial, virão a sujeitar-se a um exame desta natureza, tipo “Prova de Aptidão Pedagógica e Capacidade Científica exigida pelo Ministério da Educação”!
Mas, se a medida é, em si mesmo, uma exigência discutível, ela tem por objectivo conceder à população cuidados de saúde de boa qualidade, pelo menos no que diz respeito aos praticantes da arte médica. Obviamente, no que toca ao Ministério da Saúde, se ele cuidar também de garantir melhor e maior acesso aos medicamentos e não restringir tanto a lista de fármacos e produtos comparticipados, em particular os de Pediatria, como tem sido seu apanágio, então o exercício médico-assistencial poderá, efectivamente, ganhar uma outra qualidade e dimensão. Isto porque, a prática clínica não se exerce apenas com técnicos diferenciados e “certificados”,  capazes de propiciar saúde e bem-estar ao seus utentes apenas com gestos de mágica ou hipnose. Não. Os fármacos, conscientemente prescritos, a par dos sábios conselhos emitidos, são indispensáveis e o acesso a estas “armas terapêuticas” constitui um direito inalienável de todo o cidadão. O Senhor Bastonário, já agora, poderia também ter uma palavra a dizer sobre esta matéria. Melhorava, substancialmente, a possibilidade de garantir uma saúde mais segura e eficaz aos nossos pacientes, sobretudo, aos mais carenciados.
O bem-estar da população não depende, porém, apenas de praticantes de saúde. Os políticos, deputados e governantes, não são avaliados por ninguém, nem sofrem grandes repercussões pelas suas incompetências, aselhices ou erros crassos de governação, com repercussões altamente lesivas da saúde financeira, psicológica e física da população, caída no desespero e na miséria.
Os magistrados, segundo Marinho Pinto, bem conhecedor da arte jurídica, detêm “privilégios escandalosos à luz da realidade económica do país” e sofrem de um megacomplexo de superioridade profissional, não se inibindo de fazerem “uma espécie de chantagem política permanente”, nem de exercerem as suas funções com artimanhas que lhes permitam atingir os seus objectivos pessoais e corporativos: "Estão permanentemente a pôr processos, a inventar processos, a prolongar artificialmente a duração de processos para terem os políticos reféns das suas reivindicações, das suas exigências.” O ex-bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, destaca ainda que apesar das “suas cabeças brilhantes, os magistrados portugueses, na sua maioria, não só sofrem de “falta de humildade”, como são “imaturos” e desconhecem a realidade da vida, aspetos fundamentais ao exercício da sua profissão, que deverá ou deveria pautar-se pela equidade, rigor e isenção, o que nem sempre acontece.

A par dos médicos, professores (apenas alguns, por enquanto), políticos e magistrados, alguém acha que outros profissionais, das mais diversas áreas técnico-profissionais, funcionários públicos ou não, polícias, militares, etc., não deveriam também ser sujeitos a avaliações periódicas e a certificações das suas capacidades e competências, muitas delas, que, de igual modo, põem em causa a harmonia, a segurança, o bem-estar, a condição vivencial, financeira, económica, física e psicológica das populações?!
O que acharão Vossas Excelências, Senhor Bastonário da OM, José Manuel Silva, e Senhor Ministro Paulo Macedo, disto tudo? A par dos exames que propõem aos profissionais de saúde, justifica-se também, ou não, uma avaliação geral de todos os outros profissionais, em Portugal? E quanto à avaliação do desempenho, por exemplo, dos Ministros, será que somente as eleições devam constituir bitola de aviso às falhas de competência ou de navegação governativa? Ou, se bem se recorda, Senhor Dr. Paulo Macedo, será preciso ouvirem-se protestos ou ameaças veladas dentro do Parlamento, a fim de se corrigirem algumas trajectórias governativas, em favor da saúde dos utentes do SNS, como já aconteceu?!
Gostávamos de saber.

Calendas Semânticas
João Frada

Professor Universitário (Ph.D.) da FML

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

DISCORRÊNCIAS SOBRE A NATALIDADE EM PORTUGAL

Discorrências sobre a Natalidade em Portugal

“Mais de 1500 bebés nasceram em Portugal até ao fim de julho” [2015]

Finalmente, a demografia portuguesa, até agora, em queda livre, não só pela saída de gente jovem, em massa, para o estrangeiro, na mira de emprego e melhores condições de vida, que aqui lhes têm sido negados, como pela baixíssima natalidade verificada nesta última década -  100.000 nascimentos a menos – parece ter começado a soerguer-se.   
Os governantes ousam pronunciar-se, agora mais do que nunca, já que a campanha eleitoral está à porta, defendendo e destacando o apoio à natalidade, como um dos pontos fundamentais da sua “bandeira”. E que bandeira! Neste domínio, nunca foi tão negra!  
Apoio à natalidade, como?
Criando emprego mal pago e de curta duração, a prazo, portanto, com a condição de desemprego sempre à vista e também a prazo, situação esta, para os casais mais jovens, altamente estimulante e convidativa à organização de vida e ao aumento do agregado familiar?!
Será que é esta forma iníqua de apoio à natalidade que o Governo tem em mente?
Pelo que temos visto, a menos que muita coisa mude, rapidamente, a nível do sistema político, em particular, nos domínios da Fiscalidade, da Saúde e da Segurança Social, não nos parece que o Estado esteja decidido a criar as necessárias condições sociais e económicas para mudar o atual “status quo”, conduzindo ao franco aumento da natalidade em Portugal. Mesmo porque, isso custa dinheiro, e o que vemos constantemente é sacar, sacar, e não dar ou apoiar o que quer que seja. O setor da Saúde, se bem que com algumas notas positivas, no que toca a controlo de desperdícios e gastos perdulários, continua a não estar atento à natalidade. Toda a gente sabe que, sem natalidade, a Segurança Social está condenada a médio prazo e, todavia, enquanto outros países europeus já acordaram há muito para este gravíssimo problema demográfico, os nossos governantes continuam impávidos e serenos, e, dizem eles, a preparar o futuro, mas sem novas gerações, ou melhor, sem nenhumas gerações. Um grande futuro, não há dúvida!
Qualquer casal jovem, hoje em dia, quando decide que é chegada a altura de assumir o nascimento de um filho, sabe que não pode contar com apoios do Estado para nada.    
Os produtos alimentares, leites e farinhas lácteas, os artigos de higiene (fraldas, cremes, loções adequadas às peles sensíveis e delicadas de bebés), os medicamentos habitualmente prescritos e aconselhados em Pediatria, como sejam: vitaminas; xaropes mucolíticos e anti-histamínicos; broncodilatadores, como é o caso do Brometo de Ipratrópio (Atrovent PA inalador), usado em Aero-Chamber (câmara expansora); vacinais orais - a Rotavírus e lisados bacterianos; vacinas injectáveis (anti-meningite B), etc, etc., etc, nada tem comparticipação. O rol é imenso, citámos apenas alguns…
Sem qualquer comparticipação ou apoio para a aquisição de toda esta panóplia de produtos, qualquer jovem casal que aqui decidiu residir, pelo menos, até agora, apenas pode contar consigo próprio e com a família mais chegada para fazer face aos elevados encargos de mais um ser para cuidar, vestir e alimentar.          
Os encargos decorrentes das necessidades diárias de uma criança, sobretudo, ao longo dos seus primeiros anos de vida, são muito pesados para qualquer bolsa e, muito mais, para quem vive numa permanente instabilidade de emprego e com baixos rendimentos mensais, seja ou não qualificado em termos técnico-profissionais…com exceção, naturalmente, da classe política, em particular, dos “Jotinhas” inscritos nos vários “clubes”, onde não há desemprego e os salários, sobretudo, enquanto futuros candidatos aos “jobs for de boys”, são sempre chorudos. Esses, até podem contribuir para o aumento da natalidade! Como uma agravante, porém: Jotinhas a gerarem Jotinhas, irão ser, amanhã, mais umas sanguessugas dispostas a chupar o nosso magro erário público e, nessa medida, a crise global de natalidade em Portugal, por carência de apoios estatais, irá persistir eternamente. Oxalá eu me engane e tenha de reconhecer que afinal o Estado e os nossos governantes decidiram, de uma vez, tratar todos os casais portugueses por igual, concedendo apoios e subsídios suficientemente estimulantes da natalidade, com vista a uma rápida renovação geracional capaz de alterar, definitivamente, o nosso grande défice demográfico. 
     
  
Calendas Semânticas 2000
João Frada
Médico e Professor Universitário (Ph.D.) da FML