sábado, 7 de março de 2015

PROTO-DIA DA MULHER

Proto-Dia da Mulher


Mulher, um ser invulgar!  

Amanhã é o seu dia

E não sei como o louvar!

Talvez escrevendo um poema,

Porque só em poesia

É possível exaltar,

Nas entrelinhas de um verso,

Esta musa tão suprema,

Rainha do Universo.

 
Calendas Poéticas 2000

 

quinta-feira, 5 de março de 2015

LUA CHEIA


Lua Cheia

 

Olhei a lua hoje à noite,

Cheiinha, quase a explodir,  

E foi para mim uma surpresa

Descobri nela, com deleite,  

Dois olhos sempre a sorrir

Eram teus, tenho a certeza.

 

Calendas Poéticas

domingo, 22 de fevereiro de 2015

BOM DIA E UM ABRAÇO


Bom dia e um Abraço

 

- Bom dia, minha menina!

- Bom dia, meu passarinho!

- Acordaste-me tão cedo!

Que visita tão espertina,

Ainda é noite cerrada!

 

Sonha o sol, a lua dorme

E só os grilos cantores,

Passeando pelo jardim,

Numa alegre chocarrice,

Solistas absolutos,

Saúdam a madrugada…

 

- Porque vieste tão cedo?

O passarinho, confuso,

Piando a medo,

Lá disse:

- Cheguei há poucos minutos,

Com intuito de entregar

Esta pequena encomenda

E, olhe, para aqui chegar

Cruzei desertos e mares

Quase morri de cansaço…

 

Trago no bico esta prenda,

Embrulhadinha, a preceito,

Duas coisas singulares:

Um bom dia e um abraço.

Agora, que estou partindo,

E entreguei tudo, escorreito,

Em correio especial,

Diga-me lá o que levo

De volta para Portugal?

 

- Ai, passarinho mais lindo,

Já que aqui estás, aproveito,

Leva-me a mim, se puderes,

Entre as penas do teu peito.

 

Calendas Poéticas  2000

 

 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

PAIXÃO

PAIXÃO
 
Queria ver-me livre deste nó
Que trago na garganta e me tortura
Por te saber tão longe, meu amor.
Queria não me sentir pobre, como Jó,
Mendigando migalhas de ternura
Que tão pouco aliviam esta dor.
 
Queria poder gritar, enfim, sou livre
Destas algemas cruéis, tão imprecisas,  
Que me prendem, amor, à tua imagem.
Queria acreditar que não é tarde
Pra libertar duas almas indecisas   
Que teimam em abraçar uma miragem.
 
Calendas Poéticas 2000
 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

CIBERNAUTAS


CIBERNAUTAS

 

MEUS OLHOS, NUM TORVELINHO,

PARECEM  ROSAS DOS VENTOS,

SEMPRE À ESPERA DE AVISTAR

DOIS LÁBIOS LINDOS SAÍDOS

DOS CONFINS DO FIRMAMENTO,

DO CIBERESPAÇO PROFUNDO,

MESMO EM FLASH VIRTUAL…

É COISA QUE NÃO COMANDO.

QUALQUER BOCA, QUANDO A BEIJO,

PERFUMADA E DIVINAL,

SUSPENDE-ME O RESPIRAR.

 

CHOVEM BEIJOS E ABRAÇOS,

PALAVRAS DE ESTIMAÇÃO,

LÁBIOS DOCES EM CORTEJO

ROMPEM DE TODOS OS ESPAÇOS,

A ABARROTAR  DE  DESEJO

E  DE  FRANCA  SEDUÇÃO.

 

MAS DE TI, NADA ME CHEGA

…E NÃO ENCONTRO A RAZÃO…

NEM SUSSURROS INOCENTES,

NEM PROMESSAS, NEM EXCESSOS

DE TERNURA E DE EMOÇÃO,

NEM UM ESGAR DO TEU SORRISO

NENHUNS INDÍCIOS DE AFETOS.

NUM CIBERESPAÇO IMPONENTE    

MAL TE OIÇO E TE DIVISO. 

 

TU E EU,  DOIS VIAJANTES,

CARREGANDO OS SEUS CANSAÇOS,

NOS CONFINS DA SOLIDÃO

COLIDIMOS COMO AMANTES

E NADA ENTRE NÓS SE PRODUZ,

NEM COMPROMISSOS NEM LAÇOS

QUE NOS LIGUEM POR INSTANTES.

SOMOS, NO COSMOS, DOIS ASTROS

BRILHANDO NA ESCURIDÃO,

CADA QUAL, COM SUA LUZ,

VIAJANDO EM CONTRAMÃO.

 

CALENDAS 2000

 

sábado, 14 de fevereiro de 2015

MENSAGEIRO


Mensageiro

 

─ Bom dia, raio de sol!

Hoje tão madrugador,

Tão radiante, tão quente!?

Estás aí há quanto tempo

Espreitando pela janela?

Trazes no rosto bons ares

Vê-se bem que estás contente...

Que trazes tu na lapela:

Um lacinho de papel,

Uma renda de brocados

Ou uma pétala de flor?

─ Menina, se me deixares,

Dir-te-ei o que aqui trago:

Um bilhetinho de amor.

É dia dos namorados.


Calendas, 2000

domingo, 8 de fevereiro de 2015

SAUDADE


Saudade

 

A saudade é uma espada

que há muito trago à cintura

quanto mais fica afiada

mais me dói e me tortura

 

Quis matar esta saudade   

Roguei-lhe pragas à orça

Desejei-lhe infelicidade

 E agora voltou em força

 

A saudade é como um rio

Que nos banha o pensamento

E nos lança o desafio

De cantar o sentimento

 

Quem não sofre de saudade

Nem sabe a sorte que tem

Mas não sente a felicidade

Porque não ama ninguém

 

Dentro de nós, a saudade

Quanto a sentimos de alguém

É tal qual a tempestade

Não sabe a força que tem.

 

Calendas Musical, 2000