quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

SER LIVRE

De quê? De quem? De que forma? Quando? No passado? Hoje? Amanhã? De mim? Dos que me rodeiam? Dos que me amam? Dos que me odeiam? Dos que me governam? 
Ninguém é livre em vida, só na morte…
Ser livre, afinal, enquanto condição absoluta, desprendido de tudo e de todos, da Natureza, da sociedade e dos homens, é pois uma utopia. Nem os pássaros, livres pelos campos, pelos céus, são verdadeiramente livres. Dependem da Natureza para se alimentarem, reproduzirem, sobreviverem. São quase livres, mas não, de todo, livres. 
Porém, invejo-os. São tudo aquilo que de mais livre existe. Quero ser como eles, quero romper com tudo o que me amarra, quero voar sobre o mar sobre a montanha, quero ser livre, escondido e esquecido do espaço e do tempo, que não são apenas meus, que tenho de repartir com gente estranha.
 Quero fugir dessa realidade existencial que amortalha os meus sentidos, que me não deixa escolher o meu destino. 
Quero encontrar essa mágica chave, antes que minh´alma parta deste mundo, 
E rodá-la, abrindo-me ao infinito bem profundo, como se eu fosse no céu o espírito de uma ave e voasse então, num sonho, livre, liberto de mágoas e de lutos, 
Esperando que esse voo me conforte, quero sentir-me livre por minutos, quero sentir-me livre em vida e não na morte.    

João Frada

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

“Défice baixou, mas austeridade vai manter-se.”

Notícia “Saponews”acabada de entrar no meu telemóvel:

“Défice baixou, mas austeridade vai manter-se.”

Como eu, milhares ou milhões de portugueses, à espera de ouvir a boa notícia de que alguém responsável pela crise, pelo descalabro das contas públicas, pela agiotagem que nos tem governado o tempo todo, agora e antes, e são tantos que por aí andam às claras, convencidos que são invisíveis, foi sovado, e bem sovado, logo pela manhã, quando dobrava a esquina para comprar o Jornal Económico, tomar o café e comer o brioche na pastelaria do costume, por um bando de desconhecidos esfomeados que lhe roubaram o telemóvel, os quatro cartões dourados de crédito com plafond de 15.000€ cada, os duzentos euros para as refeições do dia, ouvimos, ou melhor, pudemos confirmar através desta “notícia gasta e idiota”, o que toda a gente previa e sabe: que o défice baixou, porque teria que baixar, mais hora menos hora, depois de tanta sangria fiscal e de tantas taxas e “ordinárias” contribuições extraordinárias emitidas pelo governo, ainda que seja um sol de pouca dura, à vigarice e corrupção que por aí abunda, e que a austeridade a que forçosamente nos sujeitam, para tapar os gigantescos buracos orçamentais  que escavaram e ajudaram a escavar, veio para ficar. Bela notícia, esta, do Saponews!! Ainda se alguém levasse a dita sova, ah, isso sim, era uma excelente notícia. Parafraseando uma linguagem ministerial: Que se lixe o Saponews.

PORTUGAL ESTÁ OU NÃO EM ESPIRAL ECONÓMICA RECESSIVA?

Coface: "Já não vemos risco de espiral recessiva em Portugal"⃰
21 Janeiro 2014, 08:00 por Edgar Caetano | edgarcaetano@negocios.pt

“Portugal e Espanha já fizeram boa parte das reformas estruturais que eram necessárias. Agora o desafio é estimular a procura interna e procurar gerar um “círculo virtuoso”, diz a Coface, que há um ano temia uma “espiral recessiva” em Portugal.”

Julien Mancilly (…) é economista e responsável pela pesquisa sobre “Risco País”, tema da conferência anual da seguradora de créditos francesa Coface (Compagnie Française d'Assurance pour le Commerce Extérieur).
(…) 
Mancilly falou com os jornalistas portugueses à margem da conferência, que decorre esta terça-feira em Paris.

Que previsões faz a Coface sobre a economia da Zona Euro em 2014?

Passámos a ter uma visão mais positiva acerca da Zona Euro, em relação a há alguns meses. A  recessão profunda que sofremos terminou, mas continuará a haver grandes divergências entre os vários países da Zona Euro. Numa visão simplista, temos a Alemanha e temos todos os outros.

(…) 

E, em particular, para Portugal?

Em Portugal, prevemos um crescimento de 0,5%. Há algumas notícias positivas em Portugal, tal como há em Espanha (…). A economia está a transformar-se, na nossa opinião, e está a virar-se mais para o comércio externo.

Os problemas que se mantêm são a baixa procura interna, a escassez de crédito e a taxa de desemprego elevada. Com um crescimento de 0,5%, mesmo que estejamos a ser demasiado pessimistas e seja um pouco mais, o desemprego vai manter-se em níveis elevados por muito tempo.

O que deve o País fazer para fomentar melhor perceção de risco?

A situação de Espanha e Portugal é diferente de França e Itália. As reformas estruturais estão feitas em Espanha e Portugal, em grande medida. O problema é outro e prende-se com a procura interna. Teremos de esperar para ver se as famílias vão poupar mais ou se vão investir mais. Se o sector privado investir mais, com a ajuda das exportações, talvez o país entre num círculo virtuoso.

Está a falar na possibilidade de um círculo virtuoso em países como Portugal. Há um ano, sobre o mesmo país, falava no risco de uma “espiral recessiva”. Ainda se revê nessa opinião?

Não. Já não é um cenário que consideremos provável.

(…)

⃰ Em Paris a convite da COFACE

REFLEXÃO 
Com um crescimento de 0,5% e com um desemprego que, ao contrário do que os nossos governantes apontam, baseados em estatísticas erradas e manipuladoras, tenderá a manter-se em níveis elevados por muito tempo, pensamos que a espiral económica recessiva veio para ficar e sufocar lentamente a maioria das famílias portuguesas. E não serão as exportações que nos virão a servir de catapulta essencial à reabilitação da economia interna do país e consequentemente à melhoria das condições de vida da população. Os cortes tremendos e duradouros a que se referia recentemente a atual ministra das Finanças são a prova disso. 
O empobrecimento causado pela constante sangria tributária, sob a forma de impostos, taxas e contribuições obrigatórias, esvaziando o poder de compra da maioria das famílias, tem levado a uma profunda retração da economia interna e, pelos vistos, contrariando as previsões estupidamente pessimistas de alguns analistas e papagaios ao serviço da propaganda governamental, tende a durar e a agravar-se. Os bancos, reconhecendo a situação caótica em que se encontram famílias e empresas, sujeitas a enormes dificuldades, consideram-nas clientes financeiramente inviáveis e pouco fiáveis e, temendo aumentar o crédito mal parado e as situações de dívida, não lhes concedem quaisquer empréstimos. A espiral económica recessiva persiste. 
Julien Mancilly, da Coface, pelos vistos, pouco conhecedor da realidade portuguesa, dá uma cravo e outra na ferradura e, com as necessárias reticências, como convém a qualquer inteligente nestas áreas da economia e da finança, afirma que “os problemas que se mantêm são a baixa procura interna, a escassez de crédito e a taxa de desemprego elevada.” Todavia, mais adiante, na sua entrevista (supracitada), diz-nos que apesar de um crescimento de 0,5%, mesmo que estejamos a ser demasiado pessimistas e seja um pouco mais, o desemprego vai manter-se em níveis elevados por muito tempo.” 
Parece querer reivindicar a descoberta da pólvora!
Julien Mancilly diz-nos mais, do alto da sua “cátedra”, enquanto especialista da Coface: 
“Teremos de esperar para ver se as famílias vão poupar mais ou se vão investir mais. Se o sector privado investir mais, com a ajuda das exportações, talvez o país entre num círculo virtuoso.” 
Pelos vistos, Julien Mancilly desconhece as estatísticas da organização social em Portugal. Não tem a noção de quantas famílias se encontram em total incapacidade de fazer tal esforço de poupança para levantar o país do caos económico em que se encontra. Para 2012, a sociedade portuguesa, em termos de capacidades económicas,… e o panorama entre 2012 e 2014 piorou indiscutivelmente, atirando mais famílias para a pobreza…, apresentava percentagens de 27,3 % para a classe Baixa; 29,8% para a classe Média Baixa; 27,5% para a classe Média; 15,4% para a classe Alta e Média-Alta. 


Atendendo a estes valores percentuais, será fácil percebermos que a grande maioria da população carenciada e sem grandes recursos corresponderá, com pequenos desvios e atendendo às oscilações para um cenário que piorou entre 2012 e 2014, a 84,6% do contingente demográfico global do país. 
Sujeitos a uma profunda sangria fiscal, confrontados com um custo de vida altamente inflacionista e inflacionado sem qualquer controlo estatal, mergulhados num pântano de desemprego que ninguém contesta existir, …apenas os ceguinhos dos nossos governantes teimam em não ver, apegados a estatísticas duvidosas e falaciosas…, sem poder de compra, sem acesso ou com muito pouco acesso ao crédito bancário, com vencimentos precários constantemente reduzidos, reformas e pensões cada dia mais baixas, os portugueses em maiores dificuldades, representando quase 85% da população do país, poderão algum dia ter hipótese de aspirar a ter uma vida digna e sem angústias, sem o espetro da fome e da miséria a rondar-lhes a porta?! 
Poupar?! aconselha Jean Mancilly… Poupar o quê? Mais um anafado que, para além do “rei na barriga”, fala de barriga cheia. Cá, lá e pelo caminho é o que mais se vê: gente de pança cheia que apenas consegue ver o seu umbigo.

João Frada
Professor Universitário

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

QUE SE NÃO LIXEM AS ELEIÇÕES

Que se lixem as eleições, diria Passos Coelho há uns tempos.
Que se não lixem as eleições, quero ganhar as eleições de 2015, diz agora Passos Coelho.
Andará o homem baralhado ou fazem parte dos “faits divers” político-comunicacionais estes fingimentos? 
Temos que aumentar a carga fiscal, para reduzir o défice e reduzir a dívida pública, disse ele e melhor o fez. Armazenou dividendos bem para além do que o previsto e imposto pela Troika. E acena, agora, com diminuição da carga fiscal, à espera de que “não lhe lixem as eleições”, como ele próprio, tão despreocupadamente, desejou em tempos. O povo, pensa ele, é burro, amnésico e “de memória curta”, e há que ter em conta esta importante certeza sobre o eleitorado, à boca das urnas. De resto, pensará ele, se estas bestas vierem a sentir alívio na “carga” fiscal e aumento dos seus vencimentos, reformas e pensões, não obstante estarem a receber apenas uma pequena parte do que lhes já lhes foi subtraído ou roubado, depende da perceção, até os idiotas dos funcionários públicos, reformados e no ativo, pensarão que chegou o D. Sebastião. E votarão em massa na sua excelsa e inteligente pessoa, o caudilho que faltava a esta nação, o salvador da pátria. Quando se olha ao espelho ou se vê projetado na sua solenidade segura e bem-falante nos écrans televisivos, nas entrevistas, nos congressos, seja onde for, mesmo onde é vaiado e insultado “até às últimas”, sente que muitos ignorantes não o entendem, não percebem as suas aflições nem os enormes compromissos que assumiu com tantas entidades da banca e da finança internacional, necessariamente, em prol da sociedade e do país. Embora Batista Bastos e Marcelo, para além de outros de “memória mais longa”, não comunguem desta opinião, Passos Coelho sente-se não um pérfido tirano mas um justo restaurador da saúde económica e financeira da nação. Os resultados, na sua opinião, estão à vista. O ano de 2014 virá provar a sua teoria. A baixa do desemprego e a melhoria do nível de vida dos portugueses virão para ficar…a par da queda de carga fiscal, como ele acabou de anunciar há poucos dias. O custo de vida, dada a inflação decrescente a que se assiste e ao controlo dos bens de primeira necessidade, eletricidade, água, luz, gás, telecomunicações e transportes, sob controlo rígido e atento da sua governação, está neste momento também a melhorar e, por todos os motivos e mais um ― “Que se não lixem as eleições”, Passos Coelho pede a maioria absoluta. Vamos a ver se esta maioria se traduz em votos nulos, favoráveis ou desfavoráveis à sua reeleição nas próximas legislativas, previstas para 2015.

João Frada

domingo, 19 de janeiro de 2014

PENSAMENTO

Se pensas amar alguém
Ama e não penses demais
Ama apenas o que vês
Sem mitos nem ideais
Não o que desejas ver
Pois ninguém é quem tu pensas
Nem aquilo que diz ser

“Foncucio”

ALMAS GÉMEAS

Minha alma, quando sorris
Acredita piamente
Ser gémea da tua e diz
Sorrindo, então, docemente,
Somos irmãs na vivência
Iguaizinhas no sentir
O bater do coração
O amor, o sentimento
A agonia e a paixão
O perdão e a inocência…
Tudo em nós é tão igual,
Decerto estamos ligadas
Pelo cordão umbilical.
Mas a tua, reticente,
Mais a favor da ciência,
Fundamentada no estudo,
Ouvindo-a com ar solene
Diz-lhe então, tem paciência,
Acredito nisso tudo
Mas depois do ADN.

João Frada
Lisboa, 17.01.14

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

FRASE do DIA: Assunção Esteves

Hoje, a segunda figura mais alta da nação disse: «o inconseguimento de eu estar num centro de decisão fundamental a que possa corresponder uma espécie de nível social frustacional derivado da crise.»

Dão-se alvíssaras a quem "traduzir".
Foi hoje na Rádio - TSF !!!?

Tentemos então proceder a esse trabalho hermenêutico.

Confusa como deve andar, perante tanta controvérsia e antagonismo ideológico-político parlamentar e não parlamentar com  que se vê, diária e constantemente rodeada e confrontada, sem grandes expetativas de mudança, ela, “a segunda figura mais alta da nação”, diz o articulista, (…sem deixar de ter em conta que o écran de televisão altera consideravelmente as medidas das personagens sob o foco dos cameramen, dando-nos uma ideia errada das reais dimensões, favorecendo-as ou prejudicando-as em função das lentes-vídeo utilizadas, e não tendo, por outro lado, acesso nem ao seu BI nem à funcionária da loja fashion que a veste para aferirmos e confirmarmos qual a sua verdadeira altura…), acredita ou, melhor, parece desacreditar que está realmente num “centro de decisão fundamental”, talvez porque entenda que as suas funções, nesta altura complicada, não favorecem minimamente o rumo da governação ou o seu perfil de maturidade política não corresponde suficientemente às exigências complexas do mesmo centro de decisões o qual, no entender de muita gente, é muitas vezes mais de indecisão do que de decisão, sobretudo quanto se trata de favorecer o Zé Povinho ou de cortar nas mordomias e privilégios parlamentares. Acrescendo a tudo isto, também devido à crise, perante os apupos, insultos, “grandoladas” e vaias a que já assistiu dentro de portas do mesmo “centro de decisão fundamental” e aos quais, seguramente, continuará a assistir, dirigidos a si e a todos os deputados que ali estejam sob a sua orientação presidencial convictamente inconseguida, como afirma, só pode mesmo assumir, como se viu, que o “nível social frustracional devido à crise” atinge toda a gente, incluindo-a a ela própria, estado psicológico que lhe identificamos de há muito e que, pelos vistos, estará para durar. Quem vier a seguir, na nossa opinião, não irá fazer melhor. As peças do xadrez são as mesmas e o tabuleiro também. Por isso, mudar a rainha não resolverá em nada os rumos da crise. Apenas minimizará o seu nível frustracional pessoal. Aguardemos para ver se esta confissão não foi o prenúncio da sua próxima demissão.   
Será que nos escapou algum pormenor mais atípico?

João Frada