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domingo, 18 de junho de 2017

Quem Canta Seus Males Espanta

Passarinhos, chilreando
Trocam piropos sem fim 
E, de asas juntas, em bando
Enchem de amor o jardim

Mas há um triste, a um canto
Piando, como quem chora
Dizendo a outro, num pranto,
Deita essa dor cá pra fora

Não faças do sofrimento
O túmulo da tua alma
A vida é tal qual o vento
Ora sopra, ora se acalma

Vai cantando com fervor 
Nem que seja um canto breve
Alivia a tua dor
E sente a vida mais leve  

Quem canta com emoção
Tem na voz o que é preciso
O fogo de uma paixão
E a doçura de um sorriso

Enquanto a tarde adormece 
E a noite cobre os caminhos     
Ouve-se, em coro, uma prece
O piar dos passarinhos.

João Frada
Calendas Poéticas 2000
 




sábado, 7 de março de 2015

ALMA DE MULHER

Alma de Mulher
Autora: Lucinete Vieira
(Belíssimo “comentário” poético enviado por anónimo/a,
como achega ao meu poema “Proto-Dia da Mulher”)


Nada mais contraditório do que ser mulher…

Mulher que pensa com o coração,

age pela emoção e vence pelo amor.

Que vive milhões de emoções num só dia

e transmite cada uma delas num único olhar.

Que cobra de si a perfeição e vive

arrumando desculpas para os erros,

daqueles a quem ama.

Que hospeda no ventre outras almas, dá à luz

e depois fica cega, diante da beleza dos filhos que gera.

Que dá as asas, ensina a voar, mas que não quer ver partir

os pássaros, mesmo sabendo que eles não lhe pertencem.

Que se enfeita toda e perfuma o leito, ainda

que seu amor nem perceba mais tais detalhes.

Que como numa mágica transforma

em luz e sorriso as dores que sente na alma,

só pra ninguém notar.

E ainda tem que ser forte para dar os ombros

pra quem neles precise chorar.

 
Feliz do homem que por um dia souber,

entender a Alma da Mulher!

 

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Por esse espaço fora


Se fores capaz de guiar
a minha mente
por esse espaço fora,
não a tornes servente, tua escrava,
aponta-lhe uma luz como horizonte,
dá-lhe um pouco de espaço, de ilusão,
concede-lhe um desejo íntimo, secreto…
Se a vires sequiosa, diz-lhe apenas:
aqui estou eu, a tua fonte,
mata a sede e se quiseres, agora,
sacia também o teu afeto.
Depois, podes ir embora…
Verás que desse gesto, tão simples,
nascerá um sorriso a céu aberto,
leve e puro, na essência,
que o entardecer guardará,
talvez pra sempre, entre mil sóis,
na tela imensa da tua consciência
na memória que não morre de nós dois.


Joti Horus
Calendas 2000